domingo, 22 de julho de 2012

Seicho-No-Ie e Espiritismo - Parte 4


Meu tio montou uma livraria ano passado e recentemente ele comentou que as obras que mais vendiam envolviam mistério: esoterismo, espiritismo e etc. Segundo ele, tudo que é misterioso chama a atenção das pessoas.
Quando criei meu blog, tinha a idéia de que se ao menos uma pessoa lesse meus textos já teria valido a pena. Aindo penso assim, mas nos últimos dois meses tenho acompanhado as estatísticas de acesso e notei que minha "caminhada" pela Seicho-No-Ie é frequentemente visualizada. Ao digitar as duas doutrinas em um site de busca, "Tiaraju" aparece como um dos primeiros resultados, o que explica a ocorrência.
Um dos motivos de eu ter iniciado esse estudo foi justamente a inexistência de fontes na internet. O pouco que encontro sobre a Seicho e o Espiritismo se desenvolve de forma isolada e superficial, por isso me baseio quase que exclusivamente em livros de Taniguchi e Kardec. Eles são a melhor fonte que conheço e, mesmo assim, considero-os desatualizados. Uma releitura deste século me parece necessária, mesmo que seja de cunho pessoal.
* * *
"Segundo estudos minuciosos, o subconsciente e o consciente estão intrinsecamente unidos e exercem interação. Isto significa que o subconsciente e o consciente não são consciências totalmente distintas entre si, mas diferentes ações de um mesmo espírito. O consciente se desenvolve em contato com o mundo ao redor, e tem como finalidade possibilitar ao homem viver no mundo fenomênico, isto é, no mundo dos sentidos (...)
O leitor, como muitos outros, talvez tenha tido a seguinte experiência: aprendeu uma fórmula matemática, mas, na hora da prova, não conseguiu resolver a questão em que era necessário aplicar essa fórmula. Porém, mais tarde, depois de algumas horas de sono, de repente consegue resolver essa questão. Isso acontece porque a questão ficou gravada no subconsciente (...) O subconsciente é mente que não adormece; ele é um "trabalhador" sempre pronto a atender às ordens transmitidas, e quando lhe é apresentada uma questão, trabalha incansavelmente para solucioná-la.
O exemplo citado serve para mostrar que, ao buscarmos a concretização de um desejo por meio da Meditação Shinsokan, não precisamos ficar mentalizando isso dia e noite, perdendo até o sono. Tudo que precisamos fazer resume-se em gravar em nosso subconsciente (...)" Masaharu Taniguchi em Comande Sua Vida com o Poder da Mente Cap.5
É notável a influência de Freud no discurso do fundador da Seicho-No-Ie. Reconheço o psicanalista como um revolucionário que influenciou positivamente grande parte do mundo, inclusive o oriente. Sua principal obra é de 1899, A Interpretação dos Sonhos, onde é relatada sua grande desconberta: o inconsciente.
No texto "Karma", comento sobre a importância da boa intenção. Há muito tempo descobri que meus resultados terapêuticos eram diretamente proporcionais à qualidade do meu subconsciente (pelo modelo freudiano, esse termo representaria a parte inconsciente da psique que pode vir a se tornar consciente). Se eu buscar, intimimamente, ajudar meus pacientes, é natural que eu encontre soluções criativas e faça um trabalho satisfatório apesar das adversidades.
"Aprendestes o que foi dito aos Antigos: Não cometereis adultério. Mas eu vos digo que todo aquele que tiver olhado uma mulher com um mau desejo por ela, já cometeu adultério com ela, em seu coração. (São Mateus, cap. V, v. 27 e 28)
(...) À medida que a alma, empenhada no mau caminho, avança na vida espiritual, se esclarece e se despoja, pouco a pouco, de suas imperfeições, segundo a maior ou menor boa vontade que emprega em virtude do seu livre-arbítrio. Todo mau pensamento, pois, resulta da imperfeição da alma; mas de acordo com o desejo que concebeu de se depurar, mesmo esse mau pensamento torna-se para ela uma ocasião de adiantamento, porque o repele com energia; é o indício de uma mancha que se esforça por apagar; e não cederá se se apresentar ocasião para satisfazer um mau desejo; e depois que tiver resistido, sentir-se-á mais forte com a sua vitória." O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.VIII, 5 e 7.
Há cerca de seis anos, em um centro espírita de Florianópolis, escutei que Jesus havia vindo para nos livrar das "amarras do pensamento". Penso o mesmo sobre Sigmund e Masaharu. No começo deste ano, uma pessoa próxima me disse que eu tinha muito potencial. Tenho escutado isso minha vida inteira; hoje entendo que não basta inteligência e coração, é preciso aprimorar o Ego para canalizar essas energias e produzir algo de valor no mundo real.
(continua)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Saturno em Meus Cabelos


Na música Vinte e Nove do Legião Urbana, Renato Russo canta: "E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno, decidi começar a viver...". Ele faz referência ao ciclo astrológico desse grande  planeta:
"O ciclo de Saturno é extremamente importante na astrologia. Ele parece estar particularmente ligado à vida física e terrestre. A passagem de Saturno pelas casas tem relação com assuntos que você precisa desenvolver, trabalhar e se esforçar. São assuntos que você também sente necessidade de tornar concretos, de estabelecer uma base mais firme. (...) O ciclo de Saturno é de aproximadamente 28/29 anos. A idade de 28 anos é uma idade chave, de questionamentos, cobranças e também da colheita de resultados positivos que foram semeados. (...) Os 28 anos indicam um balanço de tudo o que foi feito e uma redefinição ou reafirmação de crenças, estilos de vida e escolhas que terão consequências para os próximos 28 anos."
http://vanessatuleski.com.br/v2/artigos/ciclos-contidos-no-mapa-astral/
Completarei 28 anos em dezembro e o tempo já tem mostrado seus sinais. Há alguns meses notei que meus cabelos estavam perdendo a cor, tornando-se um castanho cada vez mais claro. Esta semana notei um fio branco em minha fronte; ao comentar com a cabelereira, ela achou outros durante o corte. Ontem, uma paciente minha brincou que ela e os outros pacientes tinham tantos problemas que eu acabaria ficando com meus cabelos brancos. Falei então que de fato tinha notado isso e ela educadamente respondeu: "eu nem tinha reparado!".
Durante o internato, em uma consulta pré-natal, presenciei um médico comentar para a mãe de uma paciente que seus cabelos não estavam brancos de graça, era devido à preocupação com seus pacientes.  O obstetra tinha seus 40 anos e era um excelente profissional, a mãe desde o começo da consulta vinha com uma postura agressiva, até o momento em que ele perdeu a paciência e pediu, de forma emocionada, que ela confiasse nele.
Imagino que agora eu possa usar o mesmo argumento, quando alguém me questionar, poderei apontar para meus cabelos e dizer que eles não estão assim à toa. De fato, acho que ter cursado Medicina infuenciou o meu rosto, mas nada comparável à influência em minha pessoa. Hoje sou alguém melhor porque posso produzir algo positivo com o meu trabalho.
Coincidentemente, eu estava de plantão no centro obstétrico quando a paciente da consulta pré-natal entrou em trabalho de parto. O nascimento ocorreu sem qualquer intercorrência, eu sabia que a mãe da paciente aguardava alguns metros dali e fui dar as boas notícias. A senhora ríspida que eu vira na consulta algumas semanas antes começou a chorar aliviada após me ouvir. Sua filha teve complicações na gestação anterior, perdendo a criança; obviamente ela temia que o mesmo ocorresse agora.
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Eu costumava dizer que eu era uma mistura dos personagens Michael (da série The Office) e House. Seria constrangedor demais discorrer sobre o primeiro, então comentarei sobre o ilustre médico.
No último episódio do seriado, House simula a sua própria morte e a cena do funeral é bastante significativa. Os principais personagens falam um a um sobre o colega, o último é seu melhor e talvez único amigo: Wilson. Antes de desabafar e começar a ofender o defunto, que, segundo ele, morrera de forma egoísta e sem se importar com ninguém;  James Wilson faz uma única afirmação: "ele era um curador."
Entendo o que ele quis dizer. Gregory House curava as pessoas apesar de seus defeitos, assim conseguia conquistá-las mesmo que essa não fosse sua intenção. Ele podia ser cínico, arrogante, frio, distante e até mesmo infeliz, mas ele curava as pessoas e isso o definia. O fascínio que ele inspira está na sua habilidade em restaurar a saúde, todo o resto me parece ser secundário a isso.
Hoje sinto que compartilho a personalidade difícil de Greg, mas o que quero realmente é poder compartilhar a sua nobre definição. Mesmo que custe a cor dos meus cabelos.