quarta-feira, 27 de abril de 2016

Serpentário

Recentemente descobri que meu verdadeiro signo zodiacal é Serpentário. Meu pai energicamente rejeitou a idéia, dizendo que incluir um décimo terceiro signo derrubaria toda a teoria astrológica e ele, ao longo dos anos, consolidara sua crença nela. No entanto, justamente por também ter conhecimento na área, discordei dele. Vamos por partes:

"O astrônomo Parke Kunkle vem ganhando espaço na mídia defendendo sua tese de que as alterações na atração que a Lua tem sobre a Terra modificou o alinhamento das estrelas. Essas mudanças, segundo Parke Kunkle, provavelmente mudaram as datas dos signos que já conhecíamos.  Além disso, ele afirma que há um novo signo, chamado Ophichus, também conhecido como Serpentário. Quem nasceu entre os dias 29/11 e 17/12, é regido por esse signo. Muitos astrólogos concordam com a tese de Kunkle e dizem que nada do que sabemos atualmente sobre horóscopo está correto." https://2016dicas.com/novo-horoscopo-do-zodiaco-signo-de-serpentario-2016

"De acordo com os astrólogos, este signo não foi incluído no sistema zodiacal tradicional não devido a um erro, mas porque esta constelação estava longe da eclíptica (linha que representa a passagem do Sol pelo céu). No entanto agora a constelação já está entre sagitário e escorpião devido à precessão dos equinócios, e é cortada pelo Sol." http://www.cuidar.com.br/serpentario

A melhor fonte vem de uma publicação da UFSC, com a citação de um estudioso catarinense:
"Do modo como foi organizado o céu pela UAI, todas as treze constelações ocupam espaços diferentes ao longo da linha da eclíptica, o que significa dizer que a divisão do zodíaco em doze signos de trinta graus cada um é puramente arbitrária e segue apenas a tradição dos povos antigos. Ofiúco é uma constelação um tanto extensa, sendo conhecida também por Serpentário. Na mitologia grega, este agrupamento de estrelas estava associado a Esculápio, deus da medicina. Segundo a lenda, Esculápio passou a dedicar-se à arte da cura após ver uma serpente ressuscitar outra com algumas ervas que trazia em sua boca. Esta é, inclusive, a origem do símbolo das ciências médicas: duas serpentes enroladas num bastão. Ainda sobre esta constelação, diz-nos o saudoso professor Amaro Seixas Netto:
“Em realidade, o Zodíaco atual tem treze constelações. Desde 1952, temos adotado esta Constelação Zodiacal em nossos estudos, criando assim o Zodíaco perfeito e exato sobre a Eclíptica. Esta descoberta decorreu duma análise profunda do curso do Sol zodiacal, e deste modo propusemos a sua notação na Faixa Zodiacal bem como criamos o seu signo, publicado na Imprensa para registro. Pode observar-se que o Sol, no Zodíaco, percorre pequena parte do Escorpião e logo entra no Ofiuco, para depois ingressar em Sagitário.” SEIXAS NETTO, A. O zodíaco. São Paulo : Editora do Escritor, [19--]. p. 60.
Para alguns astrólogos, a polêmica a respeito da existência de um 13° signo não faz sentido, haja vista que não são as constelações lá no céu que influenciam os seres aqui na Terra e sim energias cósmicas que tomam como referência os signos tradicionais. Há também opiniões que procuram justificar que tanto a cobra (Ofiúco) como o escorpião são animais que trocam de pele, indicando uma personalidade sujeita a grandes flutuações, e que, neste caso, Ofiúco vem a ter o mesmo significado astrológico de Escorpião." http://planetario.ufsc.br/a-polemica-do-13%C2%BA-signo/

Considerando-se treze signos, abala-se a teoria dos quatro elementos que tradicionalmente divide o zodíaco: Fogo (Áries, Leão, Sagitário), Terra (Touro, Virgem, Capricórnio), Ar (Gêmeos, Libra, Aquário) e Água (Câncer, Escorpião, Peixes). Minha primeira observação é que, de fato, não considero que eu tenha mais afinidade com arianos e leoninos do que com representantes mais "próximos" a Sagitário (Virgem, Libra, Escorpião, Capricórnio, Aquário e Peixes).
Minha segunda observação é que eu facilmente me identificaria como sendo Escorpião ou Capricórnio, signos imediatos a Sagitário (dessa forma, um ajuste no meu signo solar não me seria tão radical). Arrisco-me a dizer, por exemplo, que uma pessoa nascida nos primeiros dias de Touro tem mais características arianas do que uma pessoa nascida nos últimos dias de Touro (que, pelo raciocínio, teria mais características geminiadas). O primeiro exemplo teria mais semelhança com alguém que nasceu nos últimos dias de Áries do que com o segundo exemplo, também taurino, porém com mais dias (graus) de diferença.
Um dos argumentos que meu pai utilizou foi que a Astronomia e a Astrologia eram estudos distintos, o que me parece absurdo. Ambas iniciaram como uma mesma ciência e ainda hoje me parecem complementares, sendo visões diferentes sobre um mesmo fenômeno. Comenta-se que a intenção de Parke Kunkle em 2011 era simplesmente desmoralizar a Astrologia, mas talvez ele tenha contribuído para seu fortalecimento ao questionar sua forma tradicional.
Dizer que há um rompimento é um exagero, a constelação descende da mesma época que os demais signos, tendo também uma história mitológica por trás dela. Além disso, muda-se o pano de fundo astrológico, "o palco"; mas os aspectos planetários, por exemplo, permanecem importantes. Quando analisei meu mapa, dei ênfase a dois aspectos específicos, sem citar meu signo solar (http://tiarajusantos.blogspot.com.br/2013/09/meu-mapa-astral.html).

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Além da clara relação com a Medicina, identifico-me com uma característica de Serpentário: não tolero traições. Infelizmente, suponho que todos seremos traídos, mais cedo ou mais tarde, por pessoas próximas. Na época de re-análise do meu mapa astral, comento que eu estava desempregado e, atualmente, a situação é similar. Se me perguntassem o motivo da nova demissão, eu poderia desabafar que é sempre o mesmo: "Traições."

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Aula Noturna

Voltei a frequentar o clube do poker, estando ainda um pouco enferrujado pelos meses afastado. Semana passada, apesar de eu ter sido uma vítima fácil de meus adversários, tive um importante aprendizado. Estávamos jogando em duas mesas cheias, quando um colega da mesa vizinha subitamente se levanta e, transtornado, atira uma ficha contra o feltro, gritando para o dealer que não estava roubando.
Imagino que o jogador tenha trocado algumas fichas do pote e entregado para o adversário a sua frente, como fez a conta errada, foi repreendido pelo dealer (que deveria fazer a operação). Enquanto o agressor argumentava que estava a noite toda sendo hostilizado, percebi que eu era o primeiro a falar; embora a tendência natural fosse paralisarmos as atividades, segui o jogo entregando minhas cartas. Quase aliviado, o dealer anunciou meu fold, enquanto a confusão seguia ao lado.
O administrador do clube se dirigiu à mesa do conflito, o acusado calmamente explicou o erro no troco; abaixando um pouco o tom de voz, o jogador continuou suas críticas: "Então seja educado, explica que eu errei, não me chama de ladrão." "Eu não te chamei de ladrão." "Mas foi como se tivesse chamado." Ao acompanhá-lo para fora do salão, pude escutar uma das sugestões do administrador: "Quando tiver algum problema, é só me chamar."
Mesmo com sua saída, o clima continuou tenso por alguns minutos. Fiquei particularmente sensibilizado porque o episódio lembrou o meu próprio temperamento explosivo, eu era aquele jovem que perdia o controle e tinha atitudes destrutivas. Observando de perto, pude ver bem o estrago do furacão. A lição não é de hoje: "Não importa o que aconteça, eu não posso ser cruel com as pessoas." http://tiarajusantos.blogspot.com.br/2012/09/dois-lembretes.html