sexta-feira, 31 de julho de 2015

Guitarras

Faz mais de um ano que meu irmão me perguntou sobre um de meus amplificadores, o Acedo 276, pois estava pensando em adquirir uma guitarra; na época, informei que o cubo portátil estava emprestado para um primo nosso. Recentemente, peguei-o de volta e comentei com o primogênito que, caso ainda tivesse interesse, eu poderia lhe comprar um instrumento em Florianópolis. Após uma pesquisa no site da loja, ele me listou os modelos que mais lhe agradavam.
Testei sete guitarras novas e apenas uma chamou a minha atenção, uma Les Paul Epiphone preta. Liguei para meu irmão para confirmar a compra, mas ele não atendeu. Enquanto esperava seu retorno, decidi levar a minha própria guitarra para trocar um captador no luthier, que ficava perto dali. Após optar por um Supershered da Sergio Rosar, perguntei se ele estava vendendo alguma guitarra. Ele responde: "Só aquela Les Paul."
Estava no mesmo preço que a Epiphone, porém, tinha origem exótica: China. Captadores Sergio Rosar, corpo em mogno. Ao pegá-la, fiquei impressionado com seu peso, olhei para o luthier, que sorriu: "Pesada, não?" Regulagem e afinação perfeitas, confirmadas após plugá-la no amp.  Tentei descrever sua cor para meu irmão e o luthier me ajudou: "cherry burst". "Como a do Slash" foi a resposta do comprador, enquanto o luthier fazia o riff de Sweet Child of Mine nela.
O alto ganho do Punchbucker na ponte é equilibrado pelo Heartbreaker no braço, o que a torna especialmente versátil. Como era de se esperar, fala bem mais alto que a minha Stratocaster (que, coincidentemente, também é asiática, sendo natural da Indonésia). Esta foi comprada há mais de quinze anos, também usada e em meio a uma feliz comoção por estar levando algo excelente para casa. Que essas duas preciosidades fiquem na família por muitas gerações.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Blefadorzinho - parte 8

Antes de disputar mais um torneio, analisei que, se não chego entre os finalistas, pelo menos, dificilmente faço o re-buy (compra de fichas após perder tudo), que é possível até o intervalo após o oitavo nível. Em oito torneios, havia feito apenas uma recompra, o que considero um bom padrão. Ontem, no entanto, fui o primeiro a ter as fichas roubadas. Eu diria que a lição da noite foi: como não "tiltar" e manter um bom poker após uma má jogada.
Um jogador agressivo dá um raise pré-flop, tenho QQ, apenas pago. No flop: 987 naipes diferentes, ele aposta, aumento e ele instantaneamente me volta. Nesse momento, eu deveria ter dado fold, pois ele só poderia estar muito bem. Mas eu pago, no turn: 8, ele aposta alto, eu pago; river: 3, ele vai all-in, eu pago, suas cartas: J10. Atordoado, pago o re-buy. Não poderia mais me vangloriar de não precisar fazer a recompra.
No último torneio, comentei que deveria ter pago um all-in com KQs. Descobri que esse adversário ficou em terceiro lugar em um torneio com 40 participantes, cujo buy-in era R$1000 (!), no final de semana. Ontem, novamente contra ele, recebi um KQs; um outro adversário dobra o blind, eu pago, ele faz um re-raise, o outro desiste, eu penso em largar, mas me lembro da última vez e digo para mim mesmo que eu deveria jogar aquela mão.
No flop: J22, duas espadas, meu naipe. Ele aposta, eu pago. Turn: 8 de espadas, eu conseguira meu flush. Ele aposta, minha leitura é: ou ele tem o ás de espadas e agora espera virar outra, ou tem um par alto e espera uma full-house. Como acredito que um princípio do Texas Holdem seja fazer o adversário pagar caro pela sua carta, volto all-in, mais de duas vezes o pote. Ele pensa por cerca de um minuto e, como um jogador experiente, faz a leitura correta.
Após o fold, ele mostra o AJ, sem espadas, desapontado: "Olha o que você me fez largar!" Cordialmente, também mostro minhas duas cartas. Algumas rodadas depois, mais uma sorte: venho com AA. Pago uma aposta pré-flop e o jogador seguinte a aumenta mais de três vezes, o primeiro apostador desiste, após um instante fingindo pensar, volto all-in (também mais de três vezes a sua aposta). Ele inicialmente faz a leitura correta, dizendo: "O estranho é esse call dele."
Seus colegas, no entanto, o instigam a pagar, argumentando: "Como você vai largar depois de fazer um raise desses?!" Ele paga com AQ, nenhuma surpresa na mesa, dobro minhas fichas e, como de costume, inicio o nono nível acima da média. Dou-me ao luxo de voltar atrasado depois do intervalo, na posição de small blind, recebo 88. Todos foldam, aposto quatro vezes o blind contra o big (meu oponente do KQs), que brinca: "Chega agora e já quer jogar?!"
Respondo francamente: "Eu jogo as cartas!", o que provoca risos nos colegas. Ele paga, pedimos mesa até o river (um óbvio sinal de respeito), levo o pot com o par de 8, ele mostra um A4, desabafando que não devia ter dado call. Mais tarde, pago um raise pré-flop com KQs e um terceiro jogador dobra a aposta, que pagamos. Pedimos mesa até o river, sou o último a falar. Na mesa, quatro cartas de um naipe que não tenho, nenhum par; aproveitando-me da posição, aposto alto. Os dois desistem.
Com o big blind em 2k (o torneio se inicia com 15k fichas), recebo AQ em posição intermediária, subo para 5k, um jogador tight volta all-in rapidamente, cerca de 45k (também tinha essa quantia). Essa foi a única jogada que eu realmente parei alguns instantes para raciocinar. Minha leitura foi que ele tinha ao menos AK ou QQ, em ambas as situações, estava bem melhor. Como ainda estava com fichas na média e poderia jogar muitas outras mãos, foldei. 
Acabei eliminado após um all-in pré-flop com AJ na posição de dealer, tive o azar de encontrar um KQs e um AK no small e big, ambos pagaram o all-in; nenhuma surpresa na mesa, o big levou.
"Se você sair do torneio nesta fase com boas cartas, não se aborreça. É melhor sair do torneio jogando um bom poker do que chegar às mesas finais com um stack pequeno e ser devorado pelos blinds." http://www.dicasdepoker.com/dicasdepoker_ebook.pdf
Descobri essa fonte teórica um pouco antes de começar a frequentar o clube. Eu diria que ontem foi a primeira vez que saí de lá sentindo que realmente havia jogado um bom poker, o que me é um claro sinal de evolução. O re-buy valera a pena.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Blefadorzinho - parte 7

Tenho um amigo que também está jogando o Texas Holdem, inclusive, está lendo livros sobre o assunto. Ele diz que joga de forma a minimizar o fator sorte, evitando, por exemplo, dar all-in. Comentei que achava isso impossível, sempre é uma questão de sorte e o all-in, mais cedo ou mais tarde, tem que ser anunciado. Apesar disso, assimilei parte de sua idéia e procurei jogar menos "loose", com direito a alguns bons lances de sorte.
O clube mantém um ranking do ano e, nessa semana, tive um embate direto com o atual líder. Saí com AA e ele com AK; um terceiro jogador apostou primeiro, apenas paguei, o líder volta all-in, o apostador inicial desiste e, claro, sem pensar, dou call. Nenhuma surpresa na mesa, levo todas as suas fichas. Mais adiante, recebo novo AA e tenho outro ganho considerável; dessa vez, porém, outro adversário não pagou o meu all-in após o flop. Cordialmente, mostrei novamente o par, como que dizendo: "Você saiu bem."
Confesso que tenho enfrentado dificuldades na parte final dos torneios, quando os blinds estão altos. Geralmente, no intervalo após o oitavo nível, estou com fichas acima da média geral, mas não tenho conseguido manter o rendimento até ser um finalista. Ao analisar a última eliminação, suspeito que meu erro foi jogar muito tight no momento errado. Eu já estava abaixo da média, com cerca de 50k fichas, big blind em 4k, ante de 500, na posição de dealer.
Todos dão fold, recebo KQs, visando roubar os blinds, aposto 8k (eu conseguira isso algumas mãos antes com um A5s), o small blind dá all-in de 50k, o big blind desiste. Minha leitura é que ele tem ao menos um Ás, estando, assim, melhor do que eu. Dou fold, ele mostra um Ás de cortesia. Esperei receber algum jogo melhor nas próximas 15 jogadas, até que fui obrigado a ir all-in no big blind de 6k com um K8s, sendo eliminado por um K9.
KQs foi a minha melhor mão na parte final e eu dei fold; usando um aplicativo, calculei que tinha 44% de chance de vencer um AJ, por exemplo (muito melhor que um K8s derradeiro contra outros dois jogadores). Contei com a sorte para receber ao menos um Ás nas mãos seguintes, mas ele não veio. Tive azar em uma noite com dois AA? Acredito que não, apenas deixei passar o ponto certo para ser realmente agressivo e, consequentemente, vitorioso.