sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line) 1998

Esse clássico rivalizou com outra produção sobre a segunda grande guerra, O Resgate do Soldado Ryan (1998). Embora a obra de Spielberg seja melhor escrita, eu diria que a beleza do Pacífico torna as duas obras equiparáveis. Uma curiosidade é que esse longa tinha inicialmente cinco horas de duração; após os cortes, ficaram de fora aparições de atores como Billy Bob Thornton, Martin Sheen, Gary Oldman, Bill Pullman, Viggo Mortensen e Mickey Rourke.
Guadalcanal tem uma extensão maior que doze vezes a ilha de Florianópolis. Apesar de ser coberta por uma floresta tropical densa, era um ponto chave do conflito.
"Em maio de 1942, os japoneses tinham feito bastante progresso no desenvolvimento de instalações na ilha Florida e começaram a chegar relatos para os americanos de que soldados inimigos estavam sendo levados por Guadalcanal para construir um campo aéreo. Isso iria permitir a operação de bombardeiros japoneses contra navios mercadores Aliados e possivelmente contra a Austrália, razão pela qual os EUA decidiram tomar a ilha. Uma força de 19.000 fuzileiros navais norte-americanos desembarcou na ilha em 7 de agosto de 1942, fazendo os japoneses recuarem para a floresta." Atlas da II Guerra Mundial, 2004, David Jordan e Andrew Wiest.
O primeiro embate ocorre na segunda hora de filme. Após sofrer um ataque brutal, um grupo de sete americanos sorrateiramente sobe uma colina para identificar fortificações japonesas; ao fundo, observa-se seus companheiros dando cobertura na base da elevação. O sol, aos poucos, vai tomando conta do cenário captado em aparente sincronia. Em seguida, as forças orientais parecem mais frágeis e são subjugadas com certa facilidade após a resistência inicial.
"A batalha por Guadalcanal continuou por terra e por mar até início de 1943, quando os japoneses decidiram se retirar das ilhas, pois não aguentariam muito tempo com aquela taxa de mortalidade. Os americanos já tinham ganhado a supremacia na batalha em meados de novembro do ano anterior. No entanto, antes da decisão de retirada, os japoneses, determinados a expulsar os americanos, fizeram várias tentativas de desembarcar reforços para suas tropas na região com o chamado 'Expresso de Tóquio', os comboios de abastecimento que recebiam cobertura pesada das forças navais de superfície." Atlas da II Guerra Mundial, 2004, David Jordan e Andrew Wiest.
Já na terceira hora do longa, temos uma reviravolta: um grupo de americanos que trilhava um rio se vê próximo ao ataque inimigo; ao tentar se comunicar com a central, percebe-se que a linha havia sido cortada. Três soldados voltam para descobrir onde estava a falha; mostra-se, então, uma imagem aparentemente calma do rio que, silenciosamente, é tomada por dezenas de soldados japoneses bem equipados. Novamente, somos presenteados com uma cena genial.
O filme apresenta algumas questões filosóficas universais. Antes da tomada das fortificações no alto da colina, missão em que o protagonista (Jim Caviezel) é voluntário, seu superior imediato (o co-protagonista, Sean Penn) questiona, preocupado: "Que diferença você acha que pode fazer? Um único homem em toda essa loucura." Não há uma resposta, mas eu imagino que ela seja evidente. Podemos fazer toda a diferença, especialmente em tempos de guerra.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Blefadorzinho - parte 9

Pela primeira vez, consegui chegar na mesa final com fichas na média: 70.000 (inicia-se com 20.000). Estive com chances reais de vencer o torneio mais caro da semana (onde, teoricamente, se encontram os melhores jogadores). Sinto que, passo a passo, estou evoluindo; sendo minha melhor noite, acredito que mereça algumas observações:
1- Eu já havia desistido de ganhar dinheiro e passei a encarar o jogo como uma diversão, um hobby ou, até mesmo, uma terapia. Ironicamente, essa atitude mais solta parece ter me proporcionado alguma sorte.
2- Venho com 22, apenas pago o blind de 1000, entro com o dealer, small e big; flop: 223 rainbow (de forma inédita, flopo uma quadra!); o big aposta 2100, pago, os outros dois foldam; turn: 9, ele checa, volto 4000, ele desiste, mostrando um 3; educadamente, mostro uma de minhas cartas. Outro jogador pergunta se eu não fizera a quadra, nego; alguém lembra que, de fato, eu não olhei que carta iria mostrar. Enfim, suponho que a melhor jogada seria ter dado check e só apostar após o river.
3- Venho com Q9, pago o big de 1200, entro com mais quatro jogadores, flop: JT5 rainbow, o adversário imediatamente à minha direita aposta 4k, pago, ficamos isolados; turn: K (consigo minha sequência!) ele aposta 6k, volto all-in (22k); após pensar, ele diz "call" mas logo se corrige: "fold". Eu poderia ter exigido que sua primeira fala valesse, mas realmente ele se enganara e, educadamente, deixei passar, mostrando ainda minhas cartas.
4- É notável como não tive grandes mãos pré-flop; meu maior pocket pair foi 88, que acabei nem jogando; nenhum AK ou AQ, apenas um AJ que também habilmente foldei. A sorte apareceu com um inesperado T7 no small blind, que apenas completei (4000) para jogar com o dealer e o big. No flop: T76 rainbow, checo, o big também, o dealer aposta 8000, volto all-in, ele paga e mostra um T8. Mantenho minha vantagem no turn e river, dobrando minhas fichas.
5- Restando apenas sete jogadores, com big blind de 10.000, o under the gun (chip leader, perfil agressivo) faz raise de 20.000, o seguinte folda, venho com AT, minha leitura é que ele poderia ter apostado com qualquer par ou Ás, até mesmo um KQ ou KJ; volto all-in, o small blind dá all-in por cima e, assim, solto o já tradicional: "me ferrei!" O UTG dá fold com A9 (minha leitura estava correta), já o small mostra um triunfante AK.
6- Fiz questão de cumprimentar meu algoz ao sair, o UTG tentou me consolar: "você teria ganho de mim." Senti-me bem apesar da eliminação. Com um clima cada vez mais leve, espero que a minha luz consiga brilhar ainda mais no próximo embate. Será emocionante, com certeza.