segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Dead Fish - Contra Todos (2009)


Em 2011, criei uma conta no youtube e passei a postar gravações de shows. Tenho cerca de 190 postagens, com quase 20 mil visualizações. O video mais popular é o da banda capixaba durante apresentação em Urussanga-SC: http://youtu.be/nbXGmbcVJ-c
Acompanho a banda desde minha adolescência e acredito que ela tenha evoluído em vários aspectos. Apesar disso, ainda acho que as melhores composições estejam no álbum Afasia, de 2001, seguido do histórico Zero e Um em 2004. Mas comenterei sobre o álbum mais recente, Contra Todos, de 2009; mais especificamente quatro músicas:
Autonomia - Segundo música do álbum e único single. Realmente é a melhor música e exprime bem o tom sombrio desta nova fase. As guitarras são agressivas e secas (o começo me lembra Incubus), uma em cada lado, fazendo geralmente o mesmo riff. Uma terceira guitarra, mais melódica, aparece no final da música: "Deixe seu coração bater por liberdade, por mais ação; deixe seu coração bater por mais um sonho, outra mentira, deixe seu coração bater."
Apesar de ser uma música poderosa, fica evidente um detalhe do álbum: pela primeira vez, só há um guitarrista no Dead Fish. O interessante é que não parece haver a riqueza melódica do célebre disco "Interference" do Reffer (banda de Philippe), lançado em 2001. Outro detalhe é que o vocal do guitarrista, que canta bem, aparece pouco. Por sua vez, o vocal de Rodrigo vem melhorando a cada trabalho e aqui atinge o seu auge.
Videoclipe de Autonomia: http://youtu.be/bbKc_-0iKY8
Venceremos - Terceira faixa, mantém a velocidade e as guitarras agressivas, que agora seguem duas linhas mais distintas. Como é comum no álbum, a música possui uma parte rápida e outra mais lenta. O resultado é excelente, uma música enérgica com uma frase que cai bem nos atuais shows do Dead Fish: "Veja, os garotos ainda estão aqui!"
Venceremos ao vivo: http://youtu.be/qBV66Me4gwg
Asfalto - Aqui as guitarras aparecem com mais drive, a introdução me é a melhor melodia do álbum, mas ela logo desaparece para dar vez aos riffs rápidos característicos da banda. Imagino que se a melodia inicial se mantivesse por 2 ou 3 minutos, com algumas variações, teríamos um grande hit. Apesar desse "detalhe", a música é bastante rica, sendo a abertura de um show recente que acompanhei: http://youtu.be/6XXy9_nzyUQ
Contra Todos - Historicamente o Dead Fish tem nomes de álbuns idênticos a uma música deles; faixas fortes, como aqui. Imagino que esta seria a melhor escolha para ser lançada como single, não Autonomia. Contra Todos possui um ritmo mais comercial e me parece ser a canção com maior possibilidade de alcançar novos ouvintess. A letra é bem elaborada e chega a ser romântica:
"Nas armadilhas da cidade que nos causa repulsa, nosso horizonte podia ser mais azul; mas você fica tão bem sob esses tons de cinza, e seus olhos verdes sempre me refletem algo bom. Isso é uma guerra e nós sabemos, fomos criados no meio disso e no fim das contas ia piorar. Posso ver que está cansada, entendo seu mau-humor, espero que não desista. Baby, você pode o que quiser, a vida é tua; e eu sei, podia ser melhor. Somos nós contra todos, vamos vencer. Eu sei, são muitos ladrões, gangueiros, mendigos e nóias; viver no meio do que sobra disso aqui não é tão bom. Mesmo eles chamando de Manhattan o que sabemos ser a Bombaim glamurosa... Somos parte do jogo, sem perceber; somos nós contra todos, eu e você."
Contra Todos ao vivo: http://youtu.be/ohi321MfbJI

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Poder da Riqueza


Minha irmã costuma dizer que sou rico: "Tu é rico, tu pode"; "Tu não vai porque não quer, tu é rico". A riqueza, como outras virtudes, é subjetiva. Ajo com soberba, embora o único bem que tenho em meu nome seja um carro popular, que ainda nem terminei de quitar. O bom de ser rico é que você não precisa ser, de fato, rico; basta agir como se fosse.
Há alguns anos, li "Os Segredos da Mente Milionária" de T. Harv Ekel. A maior lição que ficou para mim foi sobre a conotação negativa que o dinheiro pode ter em nós, a idéia é: "se você vê o dinheiro de forma negativa, nunca vai tê-lo". Acho notável como algumas pessoas parecem não querer ganhar dinheiro e, assim, de fato, não ganham ou continuam ganhando pouco.
Hoje, vendo o dinheiro como algo positivo, vivo em uma aparente riqueza que desfruto incessantemente. Ter dinheiro na conta corrente significa que não preciso trabalhar por alguns meses. Que posso entrar em uma loja e comprar o que eu quiser; num restaurante, o mesmo pensamento. Significa que posso sonhar em trocar de carro, mesmo que não tenha pago ainda o atual. Não lembro a última vez que joguei na loteria, "eu não preciso ganhar".
O livro não dá uma fórmula mágica para enriquecer, as pessoas ricas geralmente trabalham muito, mas apenas por algum tempo. Elas costumam ter visão e ambição, são pacientes e otimistas. Sabem o valor do dinheiro e por isso estão sempre atentas para oportunidades de multiplicá-lo. Dinheiro é bom e vale a pena batalhar por ele, a recompensa vem depois.
Ano passado terminei minha pós-graduação e cheguei a conversar com alguns colegas meus de uma comunidade terapêudica para dependentes químicos sobre a possibilidade de trabalhar lá. Eles não tinham um médico como membro da equipe, sendo acionado, quando necessário, um médico da unidade local de saúde do município.
Pensei no menor valor aceitável de salário e carga horária, e fiz uma proposta, que foi negada. Num coffee break da pós, foi justificado que não teria como pagar um salário que era mais alto que de qualquer funcionário de lá, e minha resposta foi simples: "Tudo bem, mas eu tenho que valorizar o meu trabalho." Aparentemente, todos me compreenderam. Nossa profissão é uma extensão de nós mesmos, nós definimos o nosso valor.
Meu avô paterno é filho ilegítimo de meu bisavô, que o reconheceu e permitiu que ele estudasse; assim, ele ingressou no Banco do Brasil. Há muitos anos ele se aposentou do banco, vivendo uma vida confortável ao lado de minha avó. Meu avô conta que seu pai tinha terras e que, quando ele faleceu, foi-lhe negado a parte devida da herança pelos irmãos. Um duro golpe, imagino.
Minha avó também teve uma infância difícil, seu pai, por exemplo, não queria que ela frequentasse a escola. Mas ela continuou seus estudos e, como seu marido, passou num concurso público. Aposentou-se após décadas trabalhando no cartório. Eles tiverem seis filhos e adotaram o sétimo. Meu avô costuma dizer com orgulho que deu chance para todos os filhos estudarem, só não estudou quem não quis.
Há muitos anos, conversando com meu pai sobre sua ida a Porto Alegre com 15 anos para se preparar para o vestibular, ele me disse que meus avós não tinham condições de mantê-lo na capital, mas mesmo assim o fizeram. Hoje eu entendo: o bom de ser rico é que você não precisa ser, de fato, rico; basta agir como se fosse.
Meu pai ingressou na Universidade Federal do Rio Grande Sul após o seu primeiro vestibular, formando-se geólogo. Seu irmão mais novo se graduou em Odontologia na Universidade Federal de Santa Maria. Seu filho mais velho se formou em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina, seguido do filho do meio, que concluiu o curso de Medicina na mesma instituição.
Sua filha mais nova se graduou em Direito e, como é comum ocorrer, não está conseguindo passar na prova da OAB. Apesar disso, dedica-se pouco aos estudos, considerando que é sustentada pelo meu pai e não tem nenhuma ocupação formal além de ser estudante. Nesse último final de semana, perguntei-lhe se ela não gostaria de ter dinheiro. Sério, dinheiro não é bom? Não é bom poder comprar o que se quer, fazer o que se quer?
A riqueza tem um preço, não vem de graça. Essa é uma das lições do livro, quem quer ficar rico precisa saber.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Meu Brasil


De vez em quando, perguntam-me se eu não tenho vontade de ir para o exterior, seja a passeio, estudo ou trabalho. Não tenho. Gosto de pensar que não nasci aqui por acaso, que tenho uma missão a desempenhar em solo brasileiro e que qualquer saída, mesmo que temporária, seria um desperdício de tempo e energia.
Viajo com frequência para visitar familiares e amigos, encontro boas energias em Garopaba, São Francisco do Sul e Florianópolis, embora esta última tem perdido o encanto com o seu trânsito cada vez mais caótico. Ano passado, fiquei maravilhado ao conhecer a beleza do Rio de Janeiro e a culinária dos bares da Vila Madalena, na capital paulista.
Catarinense, encontro beleza nas paisagens de todo o estado e com satisfação resido na "Europa Brasileira", onde acredito ter a melhor qualidade de vida possível. Há alguns meses, voltando de uma viagem do Rio Grande do Sul com a minha irmã, também criciumense, brinquei após cruzar a divisa: "Finalmente em Santa Catarina, dá vontade de encostar o carro e beijar essa terra sagrada!"
Não costumo escrever sobre minhas falhas, mas comentarei dois episódios ocorridos há alguns meses comigo. Tenho postergado essa postagem por semanas, mas dizem que as coisas boas devem ser compartilhadas e é o mínimo que devo fazer, visto a minha notável sorte.

* * *

Dirigia por uma rua tranquila de Joinville, rumo à BR-101, quando num cruzamento eu não vejo a placa de "Pare". Diminuo a velocidade ao perceber um carro vindo pela esquerda, que também desacerela; pressumindo que a preferencial é minha, sigo em frente, não vendo o carro que vinha pela direita. Ainda consigo frear, mas não o suficiente para impedir o impacto na lateral do outro veículo.
Meu carro fica com apenas alguns arranhões, mas o estrago no outro é considerável. A motorista é funcionária de um restaurante e fazia uma entrega, ela chama o proprietário do veículo que estava no estabelecimento perto dali. Quando ele chega, ao perceber meu nervosismo, tenta me tranquilizar: "Não se preocupe, acontece. O importante é que ninguém se machucou."
Ligo para a minha seguradora que informa da necessidade de fazer um boletim de ocorrência. Chego a questionar isso (havia tido um incidente similar em 2011, quando não foi feito o BO e mesmo assim o reparo foi feito), mas a atendente me informa que agora o procedimento é obrigatório. Vou com a motorista para a delegacia, ela permanece calma o tempo todo e sorri com frequência, tentando amenizar a incômoda situação.
Como é comum ocorrer, ela fica surpresa ao descobrir que sou médico (talvez pela minha aparência jovem, talvez por estar vestindo bermuda e camiseta). Ela comenta que se sentia mal só de entrar em um hospital, não entendendo como nós conseguíamos trabalhar ali diariamente. Confesso que também não gostava desse tipo de ambiente, mas que após 6 anos de faculdade a gente se acostumava. Então ela me lembra com um sorriso: "Mas precisa ter um dom...". Verdade, mais uma gentileza dela.
Depois de irmos a delegacia, despedimo-nos e sigo viagem, não tendo mais contato com eles. Pessoas realmente especiais que perdoaram meu erro prontamente. A propaganda é gratuita: o restaurante é o Papinha da Vovó, recomendo!

* * *

Voltava de Criciúma e parei num posto em Lages, como de costume. Como a fila para abastecer estava formada, decidi abastecer na próxima cidade, distante alguns quilômetros dali. Mas nesta cidade, os três postos estavam inoperantes por falta de energia elétrica. De olho na tela de autonomia, calculei que poderia chegar ainda na próxima cidade e assim o fiz.
Lá, entendi o porquê da falta de energia. A cidade havia sido destruída por uma chuva de granizo: casas destelhadas, árvores enormes caídas sobre a BR-116, uma camada grossa de gelo se arrastava embaixo do carro que se movia lentamente. Ao chegar no único posto da cidade, percebo que seu teto caíra parcialmente, apoiando-se num caminhão que estacionara ali. Obviamente, estavam sem atendimento.
Numa última tentativa, sigo em frente e consigo chegar a outro posto, mas que também estava sem energia. Pergunto para o atendente se não havia 1 ou 2 litros disponíveis para chegar até o próximo estabelecimento e ele responde que não. Como não queria arriscar ficar sem gasolina, decidi aproveitar o hotel que ficava ali e esperar a energia voltar. Mesmo que demorasse até o próximo dia.
Após uma hora no hotel, batem à minha porta. É o atendente do posto me informando que não havia previsão para voltar a energia, mas que ele poderia emprestar seu carro para eu ir até o próximo posto, distante 10km, para pegar a gasolina. Surpreso com a gentileza, pergunto se ele não poderia fazer a corrida e eu lhe pagar, ficando assim combinado.
Ao descer para acertar a diária, que era baratíssima, a recepcionista diz que não custava nada. Insisto, dizendo que utilizara a cama e o banheiro, mas ela aceita apenas parte do pagamento. Aproveito para tomar um café e comer um salgado, grato mais uma vez por encontrar pessoas boas, dispostas a ajudar um desconhecido em apuros.

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Finalizo este texto no hospital, em meio a um plantão de 62 horas. Há alguns dias me ligaram dizendo que não havia plantonista para o final de semana e, apesar de estar em férias (ou melhor, justamente por estar descansado e bem-humorado), aceitei o desafio. É a minha chance de retribuir tudo que aconteceu e continua acontecendo comigo neste belo lugar. Sem dúvida, o meu lugar.