Ultimamente tenho afirmado, com certa ironia, que vou viver do pôquer; ontem, finalmente, o plano inusitado foi posto em prática. Após uma rápida pesquisa, descobri, a alguns metros de casa, um clube que organiza torneios semanais. Ontem houve um com dezessete competidores, onde amarguei um mediano décimo lugar. Claro que alguma lição pode ser sempre aprendida.
No final de semana, relembrei a estratégia do Texas Holdem e uma das expressões correntes se chama "bad beat", que caracteriza uma perda quando, teoricamente, haveria mais chances de vitória. Já descrevi algumas situações dessas, como um KK perder de um 88 após um all-in pré-flop, ou um AK perder de um Q6 na mesma situação. Ontem, mais uma vez, fui eliminado em uma bad beat clássica:
O jogador à minha direita faz um raise pré-flop, apesar de eu ter AK, apenas pago, esperando que mais alguém entre, mas fico isolado com o adversário. No flop: K83, todos de ouro, ele pede mesa e, sem ter o naipe, mas com o top pair, anuncio all-in (mais do que o dobro do pote). Como ele tinha mais fichas, pagou e mostrou o Ás de ouro acompanhado de um 10 escuro. Eu tinha mais chances de vencer, mas logo no turn veio o quinto metal precioso. Faltou-me sorte.
Descobri hoje que ele venceu o torneio. Outra bad beat que lembro dele ter aplicado foi vencer um all-in pré-flop com Q10 contra QJ: no river, virou o 10. Pode-se dizer que ele estava iluminado, sendo, ao meu ver, um exemplo de como o "fator sorte" pode ser determinante no resultado final. Teoricamente, se você jogar corretamente, a longo prazo vai ganhar, mas sabemos que nem sempre é assim. A vida está repleta de bad beats, não?