Após muitos meses sem jogar, voltei a disputar um torneio de Texas Holdem; dessa vez, com inscrições mais caras, haviam apenas onze competidores. Após a reviravolta no último torneio (http://tiarajusantos.blogspot.com.br/2014/11/blefadorzinho-parte-4.html), eu estava decidido a ser o mais educado possível, optando pelo estilo "tight-aggressive" clássico, evitando blefar. Mesmo assim, a sorte brilhou e, na metade do torneio, quando as fichas foram contadas, eu era o "chip leader".
Podendo arriscar, impus um ritmo mais agressivo e, infortunamente, acabei perdendo a liderança. Minha última jogada foi um all-in pré-flop com um esperado AK contra um Q6: logo no flop apareceu outra dama e fui eliminado em quarto lugar. Apesar do frustrante fim, tenho algumas boas lembranças da disputa. Uma delas ocorreu quando meu adversário, sentado imediatamente à minha direita, interrompeu o crupiê dizendo que havia visto minha carta.
"Um cinco escuro" ele disse. Anteriormente, ele se mostrara um pouco irritado após eu o passar na contagem das fichas, chegando a fazer algumas provocações; no momento, ele se encontrava visivelmente mal-humorado após um pequeno desentendimento com o administrador do clube. Ao refletir sobre o ocorrido, vejo que eu poderia ter reagido de várias formas, a mais óbvia seria eu simplesmente conferir a carta recebida (caso não fosse o cinco escuro, meu oponente provavelmente seria advertido).
Outra reação possível seria reclamar do crupiê, mas agi de forma instintiva: sem virar a carta, devolvi-a e apenas agradeci meu inimigo, "Thanks, man." O crupiê também não conferiu o cinco e logo reiniciou o jogo, que seguiu sem mais intercorrências. No dia seguinte, fui buscar meu tio em seu escritório e, quando ele entrou no carro, usou a minha entonação americanizada: "E aí, man?". Claramente ele estava me imitando, o que me é uma grande honra.
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