Meu pai já comentou que ele gosta de ter vários relógios de pulso e imagino que, por isso, ele costuma presentear seus filhos com eles; na faculdade, usei um modelo esportivo que ele me dera no Natal. Durante minha formatura, porém, uma das professoras me deu um de metal prateado, mais adulto. Por um ano, eu não o usei pois ele precisava ter o tamanho adaptado; só o levei ao relojoalheiro quando o outro, após muito uso, teve uma parte quebrada.
O profissional me informou que não teria como trocar a peça danificada, mas que facilmente poderia ajustar o prateado ao meu pulso, que tenho usado desde então. Há um ano, meu pai me comprou um de couro, preto, que teve o vidro trincado recentemente após uma queda no banheiro. Assim, voltei a usar a resistente peça metálica, que também é plena de significado: no bilhete que veio junto, após a colação de grau, a professora escreveu algo como "Você é a minha esperança de que ainda haverá bons médicos."
A pediatra acompanhara nossa turma desde a primeira fase e me auxiliara no TCC (que era qualitativo, sua especialidade). Lembro que, no início do curso, um de seus conselhos para nós foi: sempre que você se sentir sobrecarregado ou esgotado, "dê um tempo". Na época, ela se referiu aos estudos, mas a lição também pode ser estendida para a carreira profissional; não poderíamos funcionar como engrenagens que, infalivelmente, movimentam os ponteiros de um relógio.
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