quarta-feira, 13 de abril de 2016

Aula Noturna

Voltei a frequentar o clube do poker, estando ainda um pouco enferrujado pelos meses afastado. Semana passada, apesar de eu ter sido uma vítima fácil de meus adversários, tive um importante aprendizado. Estávamos jogando em duas mesas cheias, quando um colega da mesa vizinha subitamente se levanta e, transtornado, atira uma ficha contra o feltro, gritando para o dealer que não estava roubando.
Imagino que o jogador tenha trocado algumas fichas do pote e entregado para o adversário a sua frente, como fez a conta errada, foi repreendido pelo dealer (que deveria fazer a operação). Enquanto o agressor argumentava que estava a noite toda sendo hostilizado, percebi que eu era o primeiro a falar; embora a tendência natural fosse paralisarmos as atividades, segui o jogo entregando minhas cartas. Quase aliviado, o dealer anunciou meu fold, enquanto a confusão seguia ao lado.
O administrador do clube se dirigiu à mesa do conflito, o acusado calmamente explicou o erro no troco; abaixando um pouco o tom de voz, o jogador continuou suas críticas: "Então seja educado, explica que eu errei, não me chama de ladrão." "Eu não te chamei de ladrão." "Mas foi como se tivesse chamado." Ao acompanhá-lo para fora do salão, pude escutar uma das sugestões do administrador: "Quando tiver algum problema, é só me chamar."
Mesmo com sua saída, o clima continuou tenso por alguns minutos. Fiquei particularmente sensibilizado porque o episódio lembrou o meu próprio temperamento explosivo, eu era aquele jovem que perdia o controle e tinha atitudes destrutivas. Observando de perto, pude ver bem o estrago do furacão. A lição não é de hoje: "Não importa o que aconteça, eu não posso ser cruel com as pessoas." http://tiarajusantos.blogspot.com.br/2012/09/dois-lembretes.html

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