quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dia do Médico


Iniciei o 18 de Outubro pedindo demissão. Nada proposital, embora também não tenha sido algo inesperado. Vejo duas características dessa profissão que me impelem a trocar frequentemente de emprego:
A Medicina é técnica e arte, sendo assim "emoção-dependente". No meu dia, ironicamente, não tive condições de acolher o sofrimento da população, já que eu padecia também. Como não via possibilidade de retorno às atividades dali, minha única saída era ligar e dizer que não iria mais. Foi o que fiz. Ou dou o meu melhor, ou não dou nada. Ser medíocre não é uma opção.
A Medicina remunera bem, ganho mais do que gasto, o que me permite ficar um ou dois meses sem salário. Imagine que você tem algum dinheiro no banco, poucas dívidas e a certeza de que pode arranjar um bom emprego a hora que quiser. Você iria trabalhar contra a sua vontade? Você se tornaria um escravo e arriscaria seu bem-estar?
Há alguns meses, durante uma reunião com a secretária de saúde, um de meus colegas comentou: "Nós cuidamos de todo mundo, mas ninguém cuida da gente; nós temos que cuidar de nós mesmos." Justamente no dia do médico, decidi cuidar de mim. Sem minha saúde, simplesmente não sirvo.

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