Semana retrasada, fiz um processo seletivo para trabalhar em uma cidade vizinha; chegando lá, encontro dois colegas que fariam a mesma prova. Por um breve período, nós três trabalhamos na mesma unidade e, embora agora fôssemos concorrentes, foi com grande satisfação que os reencontrei.
Indentifico-me com eles, que também são jovens e já estão formados a alguns anos. Nos trinta minutos que anteciparam a prova, muitas piadas foram feitas e demos boas risadas. Há muitos anos, ouvi um médium afirmar em uma entrevista na televisão que "o bom-humor é uma característica dos espíritos elevados"; de fato, acredito ser esse um traço comum entre os médicos.
Na faculdade, no intervalo entre as aulas, repetia-se o ritual de descontração com meus colegas de turma; tudo, inclusive nós mesmos, era motivo para se fazer graça. A amizade com eles tornou minha trajetória mais leve e diria que, em alguns momentos, foi essencial na minha formação. De forma análoga, agora que estou formado, valorizo também meus novos parceiros que, sem dúvida alguma, motivam-me a trabalhar melhor.
Quando nos sentamos para fazer a prova, um deles, que estava no lado oposto da sala, sussurrou meu nome. Imediatamente começamos a rir, contagiando os outros médicos ali presentes, que indagaram o porquê do "Tiaraju". Sucintamente expliquei a origem do meu nome, que é indígena, embora eu descenda de japoneses, portugueses e africanos (um típico exemplo da "mistura brasileira").
Apesar de já ter dado essa explicação dezenas de vezes, gostei de ser momentaneamente o centro das atenções durante o nosso breve encontro. Voltei para casa me sentindo feliz, a prova havia sido um sucesso independente do resultado. Eu não estava sozinho, estávamos juntos, eu e meus "companheiros de guerra", como gosto de pensar.
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