sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

The Lawyers

Em meados de 2007, eu morava com meu irmão em um apartamento em Florianópolis; certo fim de tarde, ele disse que gostaria de aprender a tocar guitarra, perguntando do meu equipamento, que estava em Criciúma. Alguns dias depois, ele o trouxe de volta para a ilha. Na semana seguinte, um amigo guitarrista me convidou para assistir a um ensaio de seu trio; ao informar que tinha meu instrumento comigo, ele sugeriu que o levasse junto.
Na casa do baterista, começamos a tocar With Or Without You (clássico do U2), na qual eu fazia o riff principal; no meio da execução, seu pai apareceu com cara de surpresa, comentando ao final: "Agora parece uma banda!" (até então, formada apenas por acadêmicos de Direito). O patriarca nos convidou para tocar no intervalo de um show que seu quarteto faria (ele também era baterista). Nossa apresentação foi tão aclamada que permanecemos tocando até o fim da noite, sem chance de retorno para o grupo mais velho.
Na época, eu estava no primeiro ano do internato e, justamente por ser uma época estressante, voltar a tocar me foi uma dádiva. John Mayer, no seu DVD "Where The Light Is", comenta que por oito anos tocou sozinho em um quarto, tentando simular "mais do que ele", mas nada se comparava a tocar com outras pessoas. Realmente, como músico, não vislumbro emoção maior do que fazer uma boa melodia com bons amigos.
Em dezembro de 2008, fizemos nossa apresentação derradeira, na festa após minha colação de grau. Nessa época, ao passar em um concurso federal, o baixista se mudara para o interior do RS. Há alguns anos, ele voltou para a capital catarinense; a Lawyers ressurgiu, dessa vez com um tecladista. Mês passado, o guitarrista nos convidou para tocar no aniversário de sua mulher (https://youtu.be/5fCW5BBP-mA, https://youtu.be/UJ79QV57qMw).
Duas semanas depois, ensaiamos e, no jantar, a esposa do baixista perguntou como conseguíamos soar tão bem tendo apenas encontros esporádicos. Embora a pergunta tenha ficado sem resposta na hora, imagino que uma possível explicação seja: somos bons músicos. Gosto de pensar que, assim, naturalmente podemos fazer pequenas obras de arte quando reunidos.

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