No final do ano passado, fui tomar café da manhã em um posto de combustível, onde conheço o dono (ele também joga poker). Ao vê-lo, fui logo explicando a minha ausência no clube: "Voltei a trabalhar de manhã, então tenho que dormir cedo." Ele comentou que naquele sábado haveria um torneio no final da tarde, assim, voltei aos feltros e, pela primeira vez, acabei vencendo na cidade. Minha estrela brilhou como eu nunca tinha visto antes. Sorte acumulada, talvez?
Foram mais de cinco horas de jogo. Uma das reflexões que fiz na mesa foi que o Texas Holdem era o meu esporte (diferente de meu irmão e de meu pai, que preferem jogar tênis). Independente da modalidade, eu deveria cultivar o hábito; ganhando ou perdendo, faz bem para a mente. Certa vez, um amigo comparou o poker com o xadrez, concluindo que, se eu era bom no tabuleiro, também seria nas cartas; nos dois casos, claro, é preciso ter estratégia.
Minhas melhores mãos foram três AA e um 22, esta última, no flop se transformou em quadra (!); no entanto, em nenhuma delas pagaram meu all-in. No caso da quadra, fui pagando as apostas de um adversário que havia feito o raise pré-flop; após o river, voltei all-in, ele imediatamente foldou. Cordialmente, mostrei meu 22, os adversários se alvoroçaram e o que estava à minha esquerda desabafou: "Você tem que dar um raise com essa mão!"
O dealer gentilmente rebateu lembrando que eu conseguira coletar muitas fichas jogando defensivamente. Sendo respeitado na mesa, eu sabia que provavelmente assustaria meu adversário com qualquer re-raise; como ele estava apostando, deixei-o agir. A afirmativa de que eu deveria jogar agressivamente aquela mão soa como uma regra que não leva em conta o estilo ofensivo da mesa. Ser flexível me parece ser um princípio básico para vencer, frequentemente chego a essa conclusão.
Após sofrer uma perda considerável, o adversário a minha esquerda comentou que esperava agora uma mão qualquer para ir all-in. Respondi que eu geralmente esperava até a última chance antes de arriscar tudo, de fato, mesmo estando short em várias situações, esperei alguma mão razoável e, então, minha sorte brilhou. Venci um TT tendo um JT: já no flop, apareceu meu valete. Com um K9, fui all-in após o flop AK8, um A7 pagou e no turn apareceu o meu terceiro rei.
Cheguei entre os quatro finalistas com stack reduzido, não achei que pudesse vencer o torneio, mas estava feliz por chegar na faixa de premiação. No heads-up, devia ter cerca de cinco vezes menos que o adversário, mas continuei a vencer all-ins contra ele: tendo um AJ, venci novamente seu TT; no turn, apareceu meu Ás. Ao me tornar chip-leader pela primeira vez no torneio, ofereci acordo, ele não quis. Na mão seguinte, venho com A5, blind de 12k, aumento para 30k, ele volta all-in.
Chego a dizer "você está melhor do que eu", porém, cansado, pago o desafio: ele mostra um dominante A7. Novamente no turn, vem o meu 5, garantindo a inesperada vitória. Pedi que batessem uma foto, justificando euforicamente que aquele era o meu sonho; um dealer arrumou a pirâmide de fichas, outro preparou a câmera. O vice não conseguiu sorrir, mas gentilmente aceitou o convite para a imagem. Alguns dias depois, ao retornar ao posto de combustível, meu colega prontamente me cumprimenta: "Parabéns, vi que você cravou no sábado!"
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