sábado, 3 de setembro de 2011

Medicina e Espiritismo - parte 1

Inevitavelmente minha espiritualidade tem acompanhado minha profissão. Escolhi fazer Medicina, escolhi atuar no SUS e, mais recentemente, escolhi internalizar alguns conceitos espíritas sobre o processo de cura.
Durante uma noite de 2008, sonhei que minha namorada ganhava um aumento salarial e, pela manhã, contei-lhe o ocorrido. No mesmo dia, surpresa, ela recebeu o aumento. A doutrina espírita oferece uma explicação simples para o ocorrido. Os espíritos, tendo liberdade de penetrar em qualquer lugar ou pensamento, podem ter conhecimento de eventos futuros e, especialmente durante o sono, podem comunicá-los.
“... o fenômeno em si mesmo nada tem de anormal, quando se sabe que o tempo do sono é aquele em que o Espírito, se desligando da matéria, entra momentaneamente na vida espiritual, onde se encontra com aqueles que conheceu. É neste momento, frequentemente, que os Espíritos protetores escolhem para se manifestarem aos seus protegidos e dar-lhes conselhos mais diretos.” A Gênese Cap.XV nº3
Na época, achei que o motivo do ocorrido era convencer minha namorada da existência do mundo espiritual, pois eu já estava plenamente convencido disso. Hoje, porém, vejo um outro significado: mostrar a relação estreita que eu tinha com os espíritos. Mesmo porque, eu tive o sonho, não ela.
Outro evento marcante em 2008 aconteceu na cozinha do apartamento em que eu morava. Eu havia matado uma barata com inseticida e ela permaneceu três dias imóvel no mesmo local no chão. Ao fazer uma atividade ali, percebi que ela começara a se mover lentamente, até ganhar força, conseguir se virar e ir embora.
Em 2010, na suíte de um hotel na cidade de meus avós, percebi que, ao me aproximar de alguns besouros aparentemente mortos no chão, eles também começavam a se movimentar. A partir desse segundo evento, não pude mais negar que de fato minha presença irradiava alguma forma de energia no ambiente, mesmo que involuntariamente. O Espiritismo, novamente, fornece explicações.
“O fluido universal, como se viu, é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, que dele não são senão transformações. Pela identidade de sua natureza, este fluido, condensado no perispírito, pode fornecer ao corpo os princípios reparadores; o agente propulsor é o Espírito, encarnado ou desencarnado, que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância de seu envoltório fluídico” A Gênese Cap.XIV nº31
“A faculdade de curar por influência fluídica é muito comum, e pode se desenvolver pelo exercício; mas a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos, é mais rara, e o seu apogeu pode ser considerado como excepcional. Entretanto, foram vistos em diversas épocas, e quase entre todos os povos, indivíduos que a possuíam em grau eminente. Nestes últimos tempos, viram-se vários exemplos notáveis, cuja autenticidade não pode ser contestada. Uma vez que estas espécies de cura repousam sobre um princípio natural, e que o poder de operá-las não é um privilégio, é que elas não saem da Natureza e não têm de miraculosas senão a aparência.” A Gênese Cap.XIV nº34
Na prática, é difícil definir até que ponto meu perispírito e meus espíritos protetores exercem influência nos meus pacientes. Mas alguns casos me chamaram a atenção.
Em meu último ano de faculdade, 2008, eu participava de uma tentativa de reanimação cardio-respiratória fazendo as massagens cardíacas quando, após vários minutos, o coração do paciente voltou a bater. A surpresa foi geral, já que suas chances eram mínimas (gosto de pensar que agi além da minha força física).
Ainda em 2008, também na emergência do Hospital Universitário, eu estava em um dos consultórios quando um dos seguranças, apreensivo, trouxe uma paciente de meia-idade na cadeira de rodas. Ela estava agitada, confusa, pronunciando sons incompreensíveis. Com um gesto afirmativo, orientei que entrassem no consultório e perguntei ao filho dela o que havia acontecido. Durante uma discussão com o marido, ela ficara naquele estado. Então me dirigi a ela e perguntei: “Qual o seu nome?” Imediatamente ela se acalmou e silenciou. Embora permanecesse confusa, o problema havia sido resolvido. Aparentemente, pela minha voz.
“– Se não há possessão propriamente dita, quer dizer, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, a alma pode se encontrar na dependência de um outro Espírito, de maneira a estar por ele subjugada ou obsedada, a ponto que sua vontade esteja, de alguma sorte, paralisada?
– Sim, e esses são os verdadeiros possessos. Mas saiba que essa dominação não se faz jamais sem a participação daquele que a suporta, seja por sua fraqueza, seja por seu desejo.” O Livro dos Espíritos, livro II Cap.IX nº474
“– Não pode acontecer que a fascinação exercida pelo mau Espírito seja tal que a pessoa subjugada não a perceba? Então, uma terceira pessoa pode fazer cessar a sujeição? Nesse caso, que condição deve ela empregar?
– Se é um homem de bem, sua vontade pode ajudar, apelando pelo concurso dos bons Espíritos, porque quanto mais se é um homem de bem, mais se tem poder sobre os Espíritos imperfeitos para os afastar, e sobre os Espíritos bons, para os atrair.” O Livro dos Espíritos, livro II Cap.IX nº476
Desde que iniciei minha prática clínica, notei que eu tinha facilidade de lidar com pacientes agressivos ou nervosos. Uma paciente que sofria de ansiedade me confessou em 2009: “Só de ouvir tua voz, eu fico mais calma.”
Também em 2009, meu luthier veio entregar minha guitarra e comentou que estava com um dos olhos irritados. Informei-lhe que era médico e pedi que se aproximasse da lâmpada para eu avaliar, usando minha mão para melhor visualização. Não vi nenhum problema sério e o orientei a apenas lavar o olho com água corrente. Cerca de dois anos depois, encontrei-o ao acaso num bar e ele me relatou que alguns minutos após eu tê-lo tocado, a dor ocular havia desaparecido por completo.
Após o episódio dos besouros em 2010, não só comecei a tentar “transmitir” minha energia aos pacientes, mas também comecei a orar por eles. É famoso um estudo que demonstrou que pacientes que tinham alguém orando apresentavam uma evolução mais favorável em comparação aos pacientes sem oração. Como na época eu já tinha certeza que estava acompanhado de bons espíritos, seria quase uma negligência médica eu não tentar usar esse instrumento em benefício de meus pacientes, especialmente dois deles.
Um era marido de uma das funcionárias da unidade de saúde, que havia sido operado de um tumor cerebral altamente agressivo semanas antes de iniciar meu trabalho na cidade. O prognóstico do Neurocirurgião: máximo um ano. Logo me interessei por ele e hoje, mais de um ano após a primeira cirurgia, ele permanece vivo com uma razoável qualidade de vida, com um prognóstico felizmente incerto.
O outro caso me foi mais marcante, uma senhora de meia-idade que atendi com suspeita de tumor de vias biliares/fígado. Após a cirurgia, o patologista confirmou que se tratava de um tumor maligno pouco diferenciado (quanto menos diferenciado, mais agressivo), sendo que o prognóstico era de no máximo dois meses.
Em Dezembro, conforme o esperado, seu estado de saúde era tão frágil que poucos acreditavam que ela viveria até 2011. Mas estamos em Agosto e ela permanece viva. Acompanhei o caso quase que semanalmente por um ano; antes de deixar a cidade, disse ao marido dela que, apesar de ser um cientista (como todo médico), eu acreditava que ali havia ocorrido um milagre. Ele concordou e completou: “Em primeiro lugar, eu agradeço a Deus; em segundo lugar, aos médicos, principalmente o senhor.”
(continua)

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