sábado, 7 de janeiro de 2012

Seicho-No-Ie e Espiritismo - Parte 2

          Continuando a leitura do livro de Taniguchi, “Comande sua Vida com o Poder da Mente”, no capítulo 2 é comentado:
      “Se existisse no Universo uma vontade que oferecesse oposição à vontade do ser humano, seria impossível conseguir que a Mente do Universo nos proporcione o que desejamos, a não ser por simples acaso, o que não ocorre. O que quer que desejemos, podemos contar com o apoio do Espírito do Universo sempre disposto a concretizar os nossos desejos. Qualquer que seja o pensamento por nós imprimido na sua mente, o Espírito do Universo não contrapõe ao nosso desejo o seu próprio objetivo.”
     Parece contraditório dizer que o destino está nas mãos dos homens estando no Japão, que frequentemente é assolado por catástrofes naturais. Em muitos outros aspectos a vida também parece estar alheia à nossa vontade. No entanto, no início do capítulo se fala sobre a “a lei de causa e efeito”, conhecida tanto no Budismo (um dos pilares da Seicho-No-Ie) quanto no Espiritismo:
      “Mas se há males dos quais o homem é a causa primeira nesta vida, há outros, pelo menos na aparência, que lhe são completamente estranhos, e que parecem atingi-lo como por fatalidade. (...)
         Entretanto, em virtude do axioma de que todo efeito tem uma causa, essas misérias são efeitos que devem ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa deve ser justa. Ora, a causa precedendo sempre o efeito, uma vez que não está na vida atual, deve ser anterior a ela, quer dizer, pertencer a uma existência precedente. (...)
          O homem, pois, não é sempre punido, ou completamente punido na sua existência presente, mas não escapa jamais às consequências de suas faltas.” O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap.V nº 6
           Interessante que este trecho tende ao “olho por olho, dente por dente”, oposto à doutrina proferida por Jesus e exemplificado numa passagem de A Gênese, capítulo XV, nº 25:
        “Esta pergunta dos discípulos: Foi o pecado desse homem que foi a causa dele ser cego de nascença? indica a intuição de uma existência anterior, de outro modo não teria sentido; porque o pecado que seria a causa da enfermidade de nascença deveria ser cometida antes do nascimento, e, por conseguinte, numa existência anterior. Se Jesus visse aí uma idéia falsa, ter-lhe-ia dito: ‘Como esse homem poderia pecar antes de nascer?’ Em lugar disso, disse que esse homem era cego não porque haja pecado, mas a fim de que o poder de Deus brilhe nele; quer dizer, que deveria ser o instrumento de uma manifestação do poder de Deus. Se não era uma expiação do passado, era uma prova que deveria servir para seu adiantamento, porque Deus, que é justo, não poderia lhe impor um sofrimento sem compensação. 
 
        Outra explicação para as catástrofes seria essas serem uma consequência de uma vontade inconsciente da humanidade. O astrólogo Oscar Quiroga, em entrevista sobre o mito do “fim dos tempos”, disse que temos uma tendência a querer isso pois o mundo não é como aprendemos que ele deveria ser. É difícil não concordar com ele.


* * *
        Revelação divina de Taniguchi em 1931: “Não pense que chamando por Deus através de um médium, Deus possa se revelar.” Concordo que a mediunidade seja relacionada a espíritos e não diretamente a Deus, mas como explicar a inspiração de Masaharu sem lhe atribuir algum tipo de mediunidade?
        “Todos os que recebem comunicações mentais estranhas às suas idéias, sem serem pre-concebidas, podem ser considerados médiuns inspirados. Trata-se de uma variedade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível, sendo mais difícil de distinguir no inspirado o pensamento próprio do que foi sugerido (...)
        Todos os homens de gênio, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de conceber grandes coisas e de trazê-las em si mesmos. Ora, é precisamente por julgá-los capazes que os Espíritos, quando querem realizar certos trabalhos, lhe sugerem as idéias necessárias. E é assim que eles são, na maioria das vezes, médiuns sem o saberem.” O Livro dos Médiuns Cap.XV nº 182 e 183
          Sob essa perspectiva, é notável que, se o Japão teve Masaharu Taniguchi, o Brasil teve Francisco de Paula Cândido Xavier na mesma época. Ambos iniciaram seus trabalhos no início da década de 1930, coincidência?
       “Por que a mesma idéia, a de uma descoberta, por exemplo, se produz sobre vários pontos ao mesmo tempo?
        – Já vos dissemos que, durante o sono, os Espíritos se comunicam entre si. Pois bem, quando o corpo desperta, o Espírito se lembra do que aprendeu e o homem acredita tê-lo inventado. Assim, vários podem encontrar a mesma coisa a um só tempo. Quando dizeis que uma idéia está no ar, usais uma figura mais justa do que acreditais. Cada um contribui em propagá-la, sem suspeitar.” O Livro dos Espíritos – livro II Cap.VIII nº 419
          (continua)

Nenhum comentário:

Postar um comentário