sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Seicho-No-Ie e Espiritismo - Parte 1

            Segundo o Wikipédia, Masaharu Taniguchi, japonês que criou a Seicho-No-Ie em 1930, disse, em sua segunda vinda ao Brasil, que em sua próxima vida pretendia nascer aqui. Ora, então ele acreditava em reencarnação, preceito básico do Espiritismo. Além disso, pretendia reencarnar na maior nação espírita do planeta.
            Logo no primeiro capítulo de seu livro de 1948, “Comande sua Vida com o Poder da Mente”, é comentada a doutrina cristã:
            “A sagrada força curativa da Filosofia da Imagem Verdadeira é regida pela lei que diz: ‘Sendo o ser humano filho de Deus, a perfeição lhe é inerente. Porém, o seu corpo físico e o seu destino podem apresentar os mais variados aspectos, dependendo das idéias elaboradas na mente’. Quando a mente visualiza a imagem perfeita de homem, filho de Deus, a pessoa constrói um destino feliz, mas quando a mente elabora a imagem de homem, filho do pecado¸ a pessoa destrói a própria vida. A força que cria o mundo fenomênico atua de modo positivo ou negativo dependendo da idéia que a mente humana elabora. Devemos dizer que Jesus Cristo foi o maior dos filósofos, pois ele foi capaz de incutir a mente das pessoas, com veemência, palavras carregadas de poder de cura. Quando ele ordenava “Levanta-se e ande”, os paralíticos se levantavam e andavam. Jesus visualizava nos enfermos unicamente a Imagem Verdadeira perfeita de filhos de Deus, nunca a imagem de pessoas impossibilitadas de se mover há anos. Por isso conseguia realizar milagres.
             Contudo, Jesus não aplicou leis que só ele tinha permissão de usar; ele aplicou leis que todas as pessoas conseguem seguir. Devemos saber também que Jesus, como ser humano, não diferia dos outros quanto à sua constituição e natureza.”
            Segundo o Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, Jesus Cristo condenava o pecado mesmo em pensamento:
            “A verdadeira pureza não está somente nos atos, mas também no pensamento, porque aquele que tem o coração puro não pensa mesmo no mal; foi isso que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é um sinal de impureza.” Cap. VIII
            Um dos preceitos básicos do Espiritismo é que nosso objetivo é a constante evolução, sendo nossa “imperfeição” um dos motivos de encarnarmos na Terra. É compreensível que não nos martirezemos por nossos erros, mas não seria uma certa pretensão nos denominarmos “perfeitos”? Até que ponto isso contribui para nossa evolução?
            Claro que, como meta, a idéia de perfeição pode ter um efeito benéfico no indivíduo. Jesus tem um discurso similar ao de Masaharu nesse sentido:
            “Amai os vossos inimigos; fazei bem àqueles que vos ideiam e orai por aqueles que vos perseguem e que vos caluniam; porque se não amais senão aqueles que vos amam, que recompensa com isso tereis? Os publicanos não o fazem também? E se vós não saudartes senão vossos irmãos, que fazeis nisso mais que os outros? Os Pagãos não o fazem também? Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” São Mateus Cap.V versículos 44-48
             Notável é a análise espírita que se segue ao trecho no capítulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo:
            “Uma vez que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta máxima: ‘Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito’, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de se atingir a perfeição absoluta. Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela se tornaria igual, o que é inadmissível (...)
             É preciso, pois, entender, por essas palavras, a perfeição relativa, aquela da qual a Humanidade é suscetível e mais aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o disse: ‘amar os inimigos, fazer o bem àqueles que nos odeiam, orar por aqueles que nos perseguem.’ Ele mostra, assim, que a essência da perfeição é a caridade em sua mais larga acepção, porque ela implica a prática de todas as outras virtudes.”
             Noto que a Seicho-No-Ie concentra o foco no próprio indivíduo, “perfeito”; enquanto o Espiritismo focaliza o outro, que através da caridade, é considerado o caminho para a perfeição. Perfeição essa representada por Jesus (de certa forma, Deus ou seu filho genuíno). Essa fusão entre a figura de Jesus e Deus, tão evidente na doutrina cristã, parece simplificada por Taniguchi, que sugere que todos nós podemos ser como Jesus, basta “visualisarmos a perfeição”. Não é um exagero? Não havia algo muito especial nele, maior que qualquer filosofia?
            “Sem nada prejulgar sobre a natureza do Cristo, que não entra no quadro desta obra examinar, e não o considerando, por hipótese, senão um Espírito superior, não se pode impedir de reconhecer nele um daqueles de ordem mais elevada, e que está colocado, pelas suas virtudes, bem acima da Humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que ele produziu, a sua encarnação neste mundo não poderia ser senão uma dessas missões que não são confiadas senão aos mensageiros diretos da Divindade para o cumprimento de seus desígnios. Supondo que ele não fosse o próprio Deus, mas um enviado de Deus para transmitir a sua palavra, ele seria mais do que um profeta, porque seria um Messias divino.” A Gênese Cap.XV
             Considero-me um pecador, gosto de aproveitar os prazeres terrenos; mas esse sentimento de culpa me motiva a “reparar” ou “compensar” com bons resultados na minha vida profissional e familiar.  Nem sempre dá certo, mas eu tento. A perfeição ainda é um longo caminho para mim.
             (continua)

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