sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Poder da Riqueza


Minha irmã costuma dizer que sou rico: "Tu é rico, tu pode"; "Tu não vai porque não quer, tu é rico". A riqueza, como outras virtudes, é subjetiva. Ajo com soberba, embora o único bem que tenho em meu nome seja um carro popular, que ainda nem terminei de quitar. O bom de ser rico é que você não precisa ser, de fato, rico; basta agir como se fosse.
Há alguns anos, li "Os Segredos da Mente Milionária" de T. Harv Ekel. A maior lição que ficou para mim foi sobre a conotação negativa que o dinheiro pode ter em nós, a idéia é: "se você vê o dinheiro de forma negativa, nunca vai tê-lo". Acho notável como algumas pessoas parecem não querer ganhar dinheiro e, assim, de fato, não ganham ou continuam ganhando pouco.
Hoje, vendo o dinheiro como algo positivo, vivo em uma aparente riqueza que desfruto incessantemente. Ter dinheiro na conta corrente significa que não preciso trabalhar por alguns meses. Que posso entrar em uma loja e comprar o que eu quiser; num restaurante, o mesmo pensamento. Significa que posso sonhar em trocar de carro, mesmo que não tenha pago ainda o atual. Não lembro a última vez que joguei na loteria, "eu não preciso ganhar".
O livro não dá uma fórmula mágica para enriquecer, as pessoas ricas geralmente trabalham muito, mas apenas por algum tempo. Elas costumam ter visão e ambição, são pacientes e otimistas. Sabem o valor do dinheiro e por isso estão sempre atentas para oportunidades de multiplicá-lo. Dinheiro é bom e vale a pena batalhar por ele, a recompensa vem depois.
Ano passado terminei minha pós-graduação e cheguei a conversar com alguns colegas meus de uma comunidade terapêudica para dependentes químicos sobre a possibilidade de trabalhar lá. Eles não tinham um médico como membro da equipe, sendo acionado, quando necessário, um médico da unidade local de saúde do município.
Pensei no menor valor aceitável de salário e carga horária, e fiz uma proposta, que foi negada. Num coffee break da pós, foi justificado que não teria como pagar um salário que era mais alto que de qualquer funcionário de lá, e minha resposta foi simples: "Tudo bem, mas eu tenho que valorizar o meu trabalho." Aparentemente, todos me compreenderam. Nossa profissão é uma extensão de nós mesmos, nós definimos o nosso valor.
Meu avô paterno é filho ilegítimo de meu bisavô, que o reconheceu e permitiu que ele estudasse; assim, ele ingressou no Banco do Brasil. Há muitos anos ele se aposentou do banco, vivendo uma vida confortável ao lado de minha avó. Meu avô conta que seu pai tinha terras e que, quando ele faleceu, foi-lhe negado a parte devida da herança pelos irmãos. Um duro golpe, imagino.
Minha avó também teve uma infância difícil, seu pai, por exemplo, não queria que ela frequentasse a escola. Mas ela continuou seus estudos e, como seu marido, passou num concurso público. Aposentou-se após décadas trabalhando no cartório. Eles tiverem seis filhos e adotaram o sétimo. Meu avô costuma dizer com orgulho que deu chance para todos os filhos estudarem, só não estudou quem não quis.
Há muitos anos, conversando com meu pai sobre sua ida a Porto Alegre com 15 anos para se preparar para o vestibular, ele me disse que meus avós não tinham condições de mantê-lo na capital, mas mesmo assim o fizeram. Hoje eu entendo: o bom de ser rico é que você não precisa ser, de fato, rico; basta agir como se fosse.
Meu pai ingressou na Universidade Federal do Rio Grande Sul após o seu primeiro vestibular, formando-se geólogo. Seu irmão mais novo se graduou em Odontologia na Universidade Federal de Santa Maria. Seu filho mais velho se formou em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina, seguido do filho do meio, que concluiu o curso de Medicina na mesma instituição.
Sua filha mais nova se graduou em Direito e, como é comum ocorrer, não está conseguindo passar na prova da OAB. Apesar disso, dedica-se pouco aos estudos, considerando que é sustentada pelo meu pai e não tem nenhuma ocupação formal além de ser estudante. Nesse último final de semana, perguntei-lhe se ela não gostaria de ter dinheiro. Sério, dinheiro não é bom? Não é bom poder comprar o que se quer, fazer o que se quer?
A riqueza tem um preço, não vem de graça. Essa é uma das lições do livro, quem quer ficar rico precisa saber.

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