Neste final de semana, fui a uma festa de aniversário e levei alguns vinhos que comprara recentemente na Argentina. Após a segunda garrafa estar no fim, o pai do aniversariante apareceu com mais duas; uma era para tomarmos ali, outra era um presente para mim. Senti-me honrado e degustar agora este excelente Joaquim da Villa Francioni (uma mistura de Cabernet e Merlot, 2006) me impeliu nesta temática.
Ele me disse que tinha cerca de 50 garrafas desse vinho. Imagino que, gostando especialmente desta safra, ele fez questão de guardar um estoque. Apesar de ter sido produzido há 7 anos, ele ainda continua "fresco" e talvez até melhor do que antes. Eis um aspecto interessante desta arte: poder formar "tesouros" de lotes acima da média, estando o apreciador sempre atento aos exemplares mais preciosos.
É um dos melhores vinhos nacionais que já bebi, o cheiro me lembrou um Casilero del Diablo Carmenere 2012 que bebi há alguns dias, presente de meu pai. Já o gosto, lembra bem o característico sabor do Merlot. Um bom exemplar do potencial de São Joaquim, mas com o revés de ser relativamente caro se comparado aos exemplares vendidos em solo argentino.
O primeiro vinho que chamou a minha atenção foi o Finca La Linda - Cabernet Sauvignon, apresentado por meu irmão quando ele morou no extremo oeste catarinense. A safra de 2012 vem com rótulo mais elegante e, apesar de ter baixado o teor alcoólico de 14 para 13,5%, voltou a lembrar as excelentes garrafas de 2008 e 2009. Na divisa com Dionísio Cerqueira-SC, encontra-se este néctar por cerca de R$15.
Outro nome marcante foi o Altos del Plata - Malbec 2009. Certa vez, eu presenteei o dentista que trabalhava comigo e ele me contou, alguns dias depois, que fizera um jantar e convidara um amigo que, conhecido de vinhos, vibrara com este. Já em 2010 e 2011, como me parece ser comum neste ramo, não se manteve a mesma impressão intensa que tive há alguns anos.
Um vinho popular que venho consumindo nos últimos anos é o Latitud 33, recomentando por um tio que, exemplificando sua paixão pela Enologia, batizou seu cachorro de Malbec. Experimentei cinco variedades de 2012 e o Tempranillo me pareceu a opção mais saborosa. Seu preço na Argentina varia de R$11 a R$13, sendo outro exemplo do bom custo-benefício argentino.
O pai do meu amigo aniversariante também é médico e imagino que poder apreciar um bom vinho seja um dos privilégios da nossa classe. Apreciar um bom vinho me faz lembrar de como alguns sacrifícios podem ser recompensados. Durante a festa, um dos comentários foi de que valia a pena investir dinheiro em comida de alto padrão; obviamente, penso o mesmo sobre vinhos.
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Durante a ocupação nazista da França, Hitler limpou centenas de adegas que, em tempos de guerra, eram especialmente valiosas:
"O vinho saqueado servia para acalentar os soldados. Os alemães distribuíam uma cota diária da bebida a seu exército e tinha por objetivo dar ânimo e aproximar os soldados de casa (...)
Mas ainda faltava uma coisa para os franceses, que era recuperar o seu maior tesouro roubado: os vinhos. A busca das tropas aliadas pelo ‘Ninho da Águia’, a residência de Adolf Hitler em Berghof, nos Alpes Bávaros, levou os franceses a encontrarem um tesouro inestimável: quadros, esculturas e os grandes rótulos franceses que haviam sido confiscados. Na cave estavam meio milhão de garrafas dos mais excelentes vinhos fabricados em Bordeaux, Borgonha e Champagne." http://www.avindima.com.br/?p=646
Só faltou tu mencionar os Country Wine de R$ 3,50 tomados no Varietá durante a adolescência.. uahuahuhaah
ResponderExcluirDo Country Wine ao Finca la Linda foi um salto gigantesco!
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