Meu pai conheceu minha mãe em uma agência bancária de São Paulo, onde ela era caixa. Algumas semanas depois, ela abandonou sua promissora carreira e, casando-se, mudou-se para o interior do Mato Grosso do Sul, onde ele iniciaria um novo projeto como geólogo. Sem dúvida, uma decisão ousada no final da década de 70.
Já ouvi algumas vezes de meu pai sobre o dia em que ele conheceu seu sogro. Ele havia ido de carona com um amigo, que permanecera na frente da casa, caso fosse necessária alguma fuga rápida. Por duas horas, meu pai esperou sentado no sofá da sala, meu avô não queria vê-lo. O clima era obviamente tenso.
Quando finalmente apareceu, o patriarca disse, a contra-gosto, que não adiantava dizer não, a Lilú era teimosa e iria de qualquer jeito. Foi organizada uma pequena festa de casamento, lembro de uma foto deles cortando o bolo. Com o tempo, o jovem galanteador provou ser um bom marido e pai. Minha mãe viveu um casamento pleno até sua morte precoce em 95.
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Na semana do dia dos Pais, voltávamos da casa do meu sogro quando começou a tocar, no som do carro, o álbum (What's The Story) Morning Glory? da banda inglesa Oasis. Comentei que tinha sido um dos primeiros álbuns que escolhera ganhar de presente, em meados de 96. Após alguns instantes de reflexão, completei: "Que infância feliz, eu ganhava CDs de presente."
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Quando decidi casar, escolhi morar em uma cidade próxima de meu sogro. Ele mesmo comentou na semana dos Pais, quando falávamos de uma conhecida que iria fazer vestibular para Medicina: "Médico arranja emprego em qualquer lugar." Diferente de meu pai, eu poderia manter uma certa proximidade. Na minha eterna competição paterna, pareço estar na frente; pelo menos, por algum tempo.
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No dia dos Pais, fui para minha cidade natal e, de maneira incomum, fomos almoçar no restaurante que fica em frente ao apartamento da família. O restaurante estava lotado, meu pai parecia satisfeito em exibir sua família. Conhecidos o cumprimentavam. Minhas meia-irmãs também estavam presentes. Há alguns anos, eu me dei conta da paternidade que algumas pessoas exercem incessantemente e tenho me sentido abençoado desde então.
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"Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de se sentir protegido por um pai." Sigmund Freud
Muito bão o post! Apenas aditando a parte inicial do texto, ouvi dizer que na emblemática situação de chá de cadeira vivida pelo nosso pai ele foi alertado pelo Guerreiro Waichiro que a Dona Lilú não sabia sequer fritar um ovo... mas isso tbm não culminou em impedir o nosso destino. hehe
ResponderExcluirNo mais, tua brilhante conclusão só me trouxe uma coisa na mente: TIARAJÚNIOR vem aí! kkkkkkkkk
Há uns 2 anos, durante um almoço familiar em Porto Alegre, uma prima comentou que "dos primos, o único que tem condições de ter um filho é o Tiaraju..." Minha resposta foi imediata: "Só não tenho condições psicológicas!"
ResponderExcluirkkkkkkkk Resposta boa para um comentário deveras infeliz..
ResponderExcluirAgora eu sei de onde vem a minha teimosia! haha
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