Vamos ao mercado e, antes de entrar no estacionamento, ela aponta para o para-brisa: "Olha, gelo." De fato, uma pequena porção de gelo cai com a chuva leve persistente. Após o jantar, saímos do restaurante e notamos que uma quantidade considerável de gelo se acumulou no carro. Mas ainda era apenas chuva com gelo.
Já em casa, percebo que o barulho da garoa vai sumindo aos poucos e então saio pela sacada, cuja porta permanecia aberta. Continua a chover, mas sem o som dos pingos. Chove gelo. Neva. Pela primeira vez em vinte e oito anos, vejo neve. As previsões estavam certas: na minha cidade, nevava.
Dirigimo-nos para a janela em frente a rua, focamos um poste que ilumina os diferentes flocos de neve que caem como se fossem meteoritos. A lâmpada forma rastros de luz de diferentes tamanhos, compondo um belo espetáculo. Em alguns minutos, crianças saem a rua, fotos são tiradas, risos são ouvidos e ficamos hipnotizados pela paisagem noturna.
Vamos dormir ainda com o silêncio da neve. De manhã, o visual urbano é inédito. O branco é absoluto nas telhas e jardins das casas. Árvores parecem congeladas. Apresso-me em fotografar. Arrumo-me para o trabalho, mas, sem energia elétrica, não consigo abrir o portão da garagem. Quando a energia volta, percebo que um fio de alta-tensão paira em frente ao portão da garagem, quase tocando a calçada. É impossível tirar o carro.
Ligo para o orgão responsável, mas o problema só é resolvido à noite. No outro dia, no caminho para o trabalho, encontro diversos bonecos de neve. Ao estacionar, percebo pelo painel do carro que, mesmo numa manhã ensolarada, faz quatro graus negativos lá fora. Entro na unidade e, encontrando o enfermeiro, logo dou minhas explicações pela falta. Surpreso, ele pergunta: "Você também não conseguiu vir ontem?!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário