sábado, 27 de julho de 2013

Médico de Homens e de Almas - parte 3

Um dos momentos mais emocionantes da trama ocorre quando Lucano milagrosamente salva seu irmão de uma moléstia incurável (provavelmente um câncer estomacal). Prisco era filho do padrasto de Lucano com a primeira esposa, que falecera no parto. Lucano acompanhou o complicado nascimento com o médico da família e reanimou Prisco, que não respirava.
Prisco se tornara um militar romano e participara da crucificação de Cristo, o que o abalara profundamente. Tomado pela culpa, começou a sentir dores abdominais e rapidamente definhou:
"Lucano ficou atônito até o coração diante de seu aspecto e quase incapaz de reconhecer, naquele homem cinzento e magro, seu jovem e querido irmão. (...) Lágrimas inundaram os olhos de Lucano, enquanto ele contemplava o irmão, à luz da lâmpada que erguera. Ali jazia um jovem que lhe era mais querido do que seu irmão e sua irmã de sangue, pois ele dera vida a Prisco, que estava morto."
Após obter um relato preciso dos últimos momentos de Jesus, Lucano ora:
"Tem piedade de meu pobre irmão, a quem foi outorgado o mérito de ver-Te em nossa carne. Ele Te ama e Te conhece. Dá-lhe paz, dá-lhe alívio para suas dores."
No dia seguinte, é atendido mais uma vez:
"Correu para o leito de Prisco, esperando ver ali um cadáver, mas viu, para sua completa estupefação, que Prisco estava sentado, recostado em seus travesseiros, comendo com prazer sua primeira refeição. (...) Lucano sentou-se abruptamente e ficou de olhos fixos à frente. Depois, tornou a levantar-se e examinou Prisco, minuciosamente. Não havia tumor algum fazendo resistência a seus dedos. O soldado levantava um cacho de uvas e comia-as com satisfação. Os olhos estavam pousados com suavidade em Lucano.
— Eu sabia que tu podias me ajudar — repetia ele. — Conhecia minha doença e ela era mortal. Tu, porém, me curaste."
* * *
Anteontem, após uma visita domiciliar com uma técnica em enfermagem, entro no carro e começamos o longo caminho para o centro da cidade. Pergunto para o motorista: "Você acredita em milagres?" Cético, ele responde rindo: "Só quando eu acertar na Mega-Sena!" Imagino que eu tenha deixado implícito para eles a minha opinião. Minha pergunta, na verdade, foi um desabafo de alguém que espera.
* * *
Nesta semana, durante o jantar, minha noiva pergunta do Papa. Respondo que vira ao vivo sua chegada no Brasil. Num carro que permaneceu constantemente com a janela aberta, o pontífice chegou a ser tocado por pedestres que aproveitavam a baixa velocidade decorrente de um típico engarrafamento. Do alto de um helicóptero, tinham-se a visão precisa do que ocorria.
Comentei que as pessoas não esboçavam nenhuma agressividade, pelo contrário, eram suaves na aproximação. Por algum motivo, tocar o Papa era algo que valia a pena. Eu acho isso positivo, as pessoas acreditarem em algo ou alguém sagrado, que mereça ser buscado. Nos dias atuais, qualquer motivo de esperança me parece ser bom, mesmo que seja uma ilusão.

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