quarta-feira, 23 de julho de 2014

Em Busca da Felicidade - parte 8

Na penúltima vez que fui cortar o cabelo, visualizei, estarrecido, um tufo branco na porção posterior esquerda do meu couro cabeludo. A cabelereira também notou e eu reagi dizendo que jamais conferiria novamente o seu corte. Mas claro que, na última vez, respondi prontamente "sim" ao ser perguntado se eu gostaria de olhar atrás. Eu queria apenas conferir o quanto aumentara a mancha, porém um milagre ocorreu: os fios voltaram ao tom escuro!
Uma pessoa próxima chegou a questionar se eu não o havia tingido. Ao analisar a ocorrência, observo que os fios brancos coincidiram com a época do adoecimento de minha avó, quando, em cinco semanas, devo ter envelhecido uns cinco anos. Nas semanas seguintes, os anos perdidos foram aparentemente devolvidos; imagino que a morte dela tenha me lembrado da importância de se constituir família, intensificando uma busca que felizmente tem se tornado um encontro.

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Neste mês, tive uma conversa com um amigo sobre outros dois amigos nossos, ambos irmãos. O mais velho se casou com uma mulher que já tinha dois filhos e teve mais dois após se formar, o mais novo (da nossa idade) se casou com uma mulher que já tinha uma filha e, após se formar, teve mais uma. Eu abertamente os defendo, dizendo com certa ironia que: "Eles estão certos, nós que estamos atrasados!" Desta vez, porém, meu amigo, sério, bateu de frente contra a minha provocação.
Disse que havia pensando muito sobre o assunto. "Olha o quanto o fulano envelheceu nos últimos anos..." Nossos amigos não teriam mais escolhas na vida, a única opção, agora, era trabalhar bastante; no entanto, a felicidade viria justamente da possibilidade de escolher entre vários caminhos. Ficando sério também, respondi que concordava com ele, por isso não tinha filhos e não os planejava ter agora; mas ressalvei que era questão de alguns anos, ele deveria vislumbrar o mesmo. 

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Na última sexta-feira, planejei uma viagem para minha cidade natal; constrangido em pedir folga, decidi cumprir o expediente e viajar em seguida. Escolhi jantar em São Joaquim em uma cafeteria/restaurante, o lugar estava cheio, mas queria o melhor sanduíche italiano que conheço. Fiz o pedido ao atendente e, alguns instantes depois, o dono veio até minha mesa, dizendo que sabia que havia um detalhe sobre o meu café, mas não lembrava qual. Surpreso com tamanha atenção, respondi: "É com o leite frio."
Cheguei em casa tarde da noite, tomei um banho e parti com minha irmã para a cidade vizinha onde ocorreria a apresentação do Dead Fish, que acompanhamos há 15 anos. Apesar do susto inicial, "cadê o Philippe?!", show catártico como sempre. Aproveitei para comprar o DVD em comemoração dos 20 anos, onde Rodrigo comenta entre uma música e outra, emocionado, apontando para alguém da platéia: "Meu irmão, você já arrumou um emprego bom, já está ganhando um bom salário... Isso é coisa de criança, os caras não falam que é coisa de criança? Então a gente vai morrer jovem, galera..."

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