Há algumas semanas, visitei minha cidade natal e, na sala de casa, contei um episódio do começo do ano, quando encontrei o vocalista e o baterista do Lagwagon em um hotel de Curitiba. Minha irmã se emocionou e, irritada, mostrou ao meu pai uma foto minha com eles, dizendo que queria ter estado lá com seus irmãos. Expliquei que ela poderia ter ido se estivesse trabalhando, meu pai concordou, complementando: "Não existe almoço grátis." Todo benefício tem um custo, mesmo que não seja pago pela pessoa que o usufrui.
Essa verdade revela um aspecto sombrio da sociedade humana: é impossível viver sem dinheiro e a maioria das pessoas, mais cedo ou mais tarde, precisa ganhá-lo de alguma forma. Uma visão mais otimista enfatizaria o valor do trabalho, mas ela parece romântica demais perante a dura realidade; somos escravos, como prisioneiros de uma Matrix invisível que suga a nossa energia vital. Alguns conseguem se libertar, mas a maior parte não.
Ontem assisti um documentário sobre leões africanos, que são bons exemplos de predadores. Ao fazer um comparativo com a espécie humana, eu diria que somos até mais selvagens que eles; talvez por isso, de maneira instintiva, também somos criados para sermos fortes o bastante para alcançar nosso próprio alimento. Neste planeta hostil, não parece ser uma tarefa fácil, mas temos que sobreviver. Essa é a única opção.
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