domingo, 12 de junho de 2016

Blefadorzinho - parte 12

Novamente em uma fase de hiato profissional, voltei a frequentar o clube do poker. Lembrando que o jogo pode servir como uma analogia para a vida, comentarei algumas lições:
1- É preciso ter paciência e esperar a mão certa para agir. Mês passado, entrei cerca de trinta minutos antes do intervalo do torneio mais caro da semana com 35k fichas, após o break (quando não é mais possível fazer rebuy), estava com 30k e não tinha ganho nenhuma mão; estava jogando pouco, no máximo defendendo alguns blinds. No UTG, finalmente recebo um JJ, dobro o blind, dois adversários vão all-in, pago a aposta. Eles mostram um 99 e um A6, mantenho minha vantagem e triplico minhas fichas. A espera valera a pena e, assim, consegui chegar na mesa final (9 finalistas entre 27 competidores).
2- Na outra semana, voltei a esse torneio, mas não tive tanta sorte. A primeira perda veio em uma rodada onde 4 entraram para o ver o flop: K85 de ouros, minha mão era Q9 de ouros! Dois adversários pedem mesa, aposto o pote, apenas um paga. Turn: 2 de espadas, continuo absoluto, ele pede mesa, faço nova aposta, ele paga. River: 5. Ele pede mesa, chego a cogitar a possibilidade de uma full house, mas vou all-in (valor aproximado do pote), ele paga imediatamente mostrando um KK.
Minha leitura estava certa até o turn, eu estava superior e, assim, joguei corretamente até ali. Mas o river mudou tudo e, assim, a melhor jogada era pedir mesa também, pois ele já havia mostrado força ao pagar minhas duas apostas. Não ter visto isso me custou um pesado re-buy. A lição que fica é: uma situação favorável pode mudar a qualquer momento e temos que notar quando isso acontece. 
Antigamente eu teria ido all-in após o flop para tentar defender meu flush, mas acredito que, trincado, ele teria pago e o desfecho seria o mesmo. Teoricamente, uma aposta alta tem o mesmo efeito que um all-in e eu não estava nuts pois não tinha o Ás de ouro (minha leitura era: apesar de estar bem, não estava tão bem). Só faltou ter segurado aquele all-in derradeiro, era óbvio que aquele 5 não me favorecia.
3- Em um torneio "light" (segundo definição do próprio administrador), consegui dobrar as fichas em cima de um dos jogadores mais fortes dali, com um clássico suited-conector. No botão, venho com 87 de paus, todos foldam, eu dobro o big blind, apostando 3,2k, só o big paga. Flop: J85 rainbow. Ele pede mesa, eu também. Turn: 9, ele aposta 3k, eu pago. River: 6, consigo uma inesperada sequência, ele aposta 6k, finjo pensar um pouco e volto all-in, 19k.
Normalmente as jogadas duram poucos instantes, mesmo quando envolvem grandes apostas; meu adversário pensou por uns 30 segundos e comentou para si mesmo: "Ele tem esse 7?" Pensou mais uns 30 segundos e, aparentando estar inconformado, colocou suas fichas a frente, mostrando um J6, dois pares. Ele provavelmente achou que eu não dobraria o pré-flop com cartas baixas, eu concluiria que nem sempre o caminho mais óbvio é o mais lucrativo.
4- Há algumas semanas, joguei com meu primo no clube de Três Passos. Ele comentou que meu conselho de procurar defender o big blind (especialmente quando a aposta não for superior a três vezes), melhorara seu jogo. Mesmo com cartas baixas, a possibilidade de ganho vale o risco porque o adversário tende a acreditar que só pagamos apostas com as altas. Quanto mais jogadores entrarem, melhor. Mas essa não é uma regra absoluta, quando short, costumo foldar cartas ruins mesmo quando o oponente apenas dobra o big blind (por exemplo, big blind de 10k, ante de 1k, stack de 60k).
Voltando ao Paraná, no torneio mais caro da semana passada, o clube contou com 41 jogadores, cheguei em décimo sexto. Poderia ter ido melhor, se não tivesse me distraído e foldado um 10 e 8 (precisava completar apenas 1,9k ao big blind de 1,6k contra dois jogadores, que dividiram o pote com um ás de alta e dois pares, eu teria feito uma fullhouse). Conclusão: devemos estar sempre atentos para, no mínimo, seguir os nossos próprios conselhos.
5- Mais tarde, defendi uma aposta de 10k contra meu big blind de 4k ao vir com QJ de paus. Flop: QJ4 com duas de coração, peço mesa, ele também; turn: J de espada (consigo minha fullhouse), peço mesa, ele aposta 12,5k; volto all-in (33k), ele folda mostrando um 99, mostro a minha dama. A melhor jogada teria sido apenas pagar os 12,5k e esperar que ele tivesse um jogo melhor no river para apostar, mas a ansiedade falou mais alto e possivelmente deixei de ganhar fichas. Às vezes, é melhor tirar o pé.

Nenhum comentário:

Postar um comentário