Conheci um jovem, excelente pianista, que tinha este como seu filme predileto. Outro detalhe era que a música executada pelo protagonista a pedido do capitão nazista, no ápice da trama, era uma de suas músicas prediletas no piano. Lembro-me também de uma aula na faculdade, em que o professor, ao comentar sobre o comportamento condicionado pelas circunstâncias, citou: "Como naquele filme do Polanski..."; após alguns segundos sem ele conseguir lembrar o nome do longa, como o bom aluno que sou, completei certeiro: "O Pianista".
Varsóvia era uma bela cidade em 1939, quando foi subitamente invadida; a estratégia alemã era bombardear pesadamente seus alvos, seguindo uma rápida invasão por terra e ar. Com avanços substanciais, os nazistas mantiveram o status de invencibilidade até 1942, quando a guerra começou a virar no leste europeu.
Logo após a Polônia ser invadida, Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha. Isso cria a ilusão de que logo os invasores sejam repelidos, fazendo com que a família judia do pianista opte por ficar em Varsóvia ao invés de fugir. O pianista justifica: "Se eu for morrer, prefiro morrer na minha própria casa". Ele não sabia que sequer teria esse direito, os nazistas pretendiam lhes tirar tudo, inclusive a dignidade na morte.
O pianista sobrevive cinco anos sob influência de seu talento, as pessoas sabiam que ele deveria viver e se arriscavam para isso. Ele teve sua vida poupada graças ao esforço de "anjos da guarda", inclusive um oficial germânico, a partir da célebre cena em que é descoberto pelo inimigo em um prédio abandonado. Ao se definir como "um pianista", lhe é solicitado que toque o piano que há ali. "Prove" fica implícito, é aí que a mágica acontece: http://youtu.be/l6XwAZ2nKA4
Frequentemente temos que provar algo para os outros; não é fácil bem suceder, mesmo o mais talentoso precisa passar por vários testes. Acredito que o formidável da obra é o fato de Władysław Szpilman ter realmente existido, o filme é baseado na sua auto-biografia escrita após a guerra, em 1945. Por motivos políticos, só foi reimpressa em 1998, sendo então traduzida para o inglês e outros idiomas. Faleceu em 2000, com 88 anos, deixando-nos uma grande lição: não basta talento.
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