No almoço familiar de domingo, conversávamos sobre o fim da novela quando minha meia-irmã de 15 anos brincou que, se eu fosse gay, eu seria o Félix e meu pai o César. Achei seu comentário repleto de significado. A princípio, a fala pode ter surgido porque meu pai, há alguns anos, se dizia parecido com o galã Antonio Fagundes. Além disso, nossa relação também é marcada por "conflitos filosóficos" com ocasionais embates nas refeições de final de semana.
Félix decide ser o cuidador de César após um AVC que o deixou em uma cadeira de rodas, a última cena os mostra juntos de frente para uma bela praia. Talvez esse seja outro aspecto que me ligue ao ilustre personagem, sendo o único filho médico, cabe a mim zelar pelo patriarca quando sua saúde se debilitar. Felizmente não precisarei esperar tanto tempo para me reconciliar com ele, gosto de pensar que isso já ocorreu há muitos anos atrás.
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Ao meu ver, eu seria um misto entre os personagens Thales e Michel, embora ocorram risadas alheias quando verbalizo essa opinião. O escritor conseguiu casar com sua musa inspiradora, conquistando inclusive a sogra que inicialmente o odiava. O médico conseguiu o divórcio para ficar com a mulher de seus sonhos, mas teve que passar pelo constrangimento de não saber se o filho que a amada esperava era dele.
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Fiquei surpreso ao ver a queda meteórica do doutor César, decepcionante desenrolar eu diria. Talvez essa seja a idéia do autor, alertar que mesmo os mais poderosos podem ruir da noite para o dia. Se lembrarmos que todos envelhecemos e morremos, vale o exemplo da última cena. Ele foi um bom pai, sem dúvida, por isso seu filho estava lá ao seu lado. Apesar dos inúmeros defeitos, suas boas ações prevaleceram e ele mereceu um final feliz. Ao menos, em parte.
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