Há meses meu tio vem me convidando para conhecer um clube do poker de sua nova cidade. Aproveitei o último domingo para finalmente conhecer a comentada mesa. Com mais oito jogadores, foi a primeira vez que joguei meu jogo preferido em um padrão profissional. Com a típica sorte de principiante, fui um sucesso absoluto; simplesmente consegui multiplicar por dez o meu investimento inicial, um feito notável que deixou todos admirados.
Uma das piadas da noite foi que eu não precisava mais trabalhar como médico, já que eu ganhava muito mais jogando poker. De fato, a matemática procede; mas, certa vez, comentei com meu pai que eu não poderia abandonar a Medicina, pois eu era muito bom nisso (!). Um amigo recentemente decidiu seguir a carreira médica, então comentei que a profissão era muito mais que um bom salário. Ser médico faz bem ao Ego, inclusive em uma mesa de jogo.
Uma das jogadas memoráveis foi eu pagar um raise pré-flop com um par de oito. Após um flop sem graça, cobri nova aposta e me deliciei com um terceiro oito no turn. Meu adversário pediu mesa e eu, tentando simular um blefe, apostei alto. Apesar dele ser um jogador agressivo, eu já havia conquistado o respeito da mesa e ele acabou desistindo. Normalmente eu não mostraria minhas cartas, mas ali não me contive. "O cara está iluminado" foi o desabafo de um deles ao ver a minha trinca.
O curioso é que, de tempos em tempos, eu realmente me sinto iluminado. A sorte parece sorrir para mim e isso acaba se tornando notável no carteado. Gosto de pensar que, como eu procuro ajudar as pessoas, a vida me devolve essa "carga positiva" de diversas formas. Quando eu me formei, meu irmão comentou que eu estava colhendo os frutos do que eu havia plantado. De fato, a colheita dura mais de cinco anos e parece não haver hora para acabar, o que me é um sinal de que continuo plantando corretamente.
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