terça-feira, 4 de novembro de 2014

Blefadorzinho - parte 4

Ontem, no clube do poker, era noite de torneio: trinta competidores divididos em três mesas, jogando até restar apenas um. Ao me sentar, o jovem ao meu lado puxou assunto e lhe informei que, embora eu gostasse muito do Texas Holdem, aquela era a primeira vez que eu participava de um torneio. Porém, logo meu aparente amadorismo foi dissipado; tomado pela habitual vontade de vencer, fiz uma aposta agressiva no fim de uma das rodadas iniciais.
Meu adversário pensou um pouco e desistiu, estrategicamente, mostrei meu blefe a todos; ele, visivelmente irritado, explicou-se para um colega: "Não conheço ele, não sei como ele joga." A provocação surtira o efeito desejado: rapidamente assumi a dianteira e, um a um, fui eliminando os outros jogadores. No início da mesa final (com os dez finalistas), um concorrente chegou a confessar que iria all-in com qualquer um, menos comigo.
Minha boa sorte virou assunto comum e uma das constatações foi que eu era "estrelado"; no dia seguinte, meu tio relatou que ele virara "relações-públicas": todos queriam saber quem eu era e da onde eu vinha. Umas das jogadas mais espetaculares foi quando fui all-in pré-flop com um par de 8 e encontrei um rival com um par de rei: eu tinha apenas 20% de chance de ganhar e, incrivelmente, no river, veio o meu 8. Um alvoroço tomou conta do salão enquanto eu vibrava com a mão direita fechada e erguida.
Quando estávamos apenas em quatro finalistas, o jogador que eu irritara no início deu all-in pré-flop com um par de 8, outro pagara com um Ás e 3 suited; com um par de dama, cobri a aposta certo de que chegara o esperado momento da vitória. Logo no flop, no entanto, foi visualizado um 8. Catarse geral. "O jogo é justo" foi uma das conclusões que ouvi ao lembrarem do meu ganho minutos antes com o mesmo par de 8. Acabei a competição em terceiro lugar.
Ao contrário dos demais, que logo se levantavam ao serem eliminados, permaneci na mesa até o fim, quando dei os parabéns ao vencedor, que me estendeu a mão agradecido. A tensão entre nós dois, que durara a noite toda após tê-lo provocado, acabara ali. Ao refletir sobre o ocorrido, percebo que errei ao mostrar meu blefe; tomado pela habitual vontade de vencer, fui deselegante e consequentemente a sorte me fugiu quando tive um novo embate com ele. O jogo é justo, diriam alguns.

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