terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Relacionamentos

Há alguns anos, assisti a um video em que um simpático senhor ironizava os jovens que se aventuravam a discorrer sobre essa temática universal: "Eu tenho duas ex-mulheres, três filhos, sou casado há quarenta e cinco anos, já limpei muita bunda de criança, já tive que explicar batom no colarinho, batom na cueca... E agora tenho que ouvir um bostinha de vinte anos dar conselho sobre relacionamento?!" (Vlog do Fernando: http://youtu.be/zwAGUGAaBXM)
Embora eu não tenha filhos, com trinta anos de idade, imagino que eu já possa comentar o assunto sem ser ridicularizado pelo vlogueiro. Ao fazer uma retrospectiva da minha vida, percebo que tudo começou quando eu tinha quinze anos e fui escolhido pela colega de colégio mais bonita. No dia em que ficamos juntos pela primeira vez, eu mal consegui dormir, tomado pela felicidade inédita que insistia em invadir meu pensamento.
Claro que não demorou muito para nos separarmos e a satisfação se transformar em decepção. Então a primeira lição que tive sobre o amor foi: apesar de ser a melhor sensação que alguém pode vivenciar, ele tende a ser efêmero e ilusório. Muitas pessoas evitam se relacionar por causa disso, mas, desde então, aprendi que valia o risco. Nunca evitei novos relacionamentos e, com certa incompreensão, percebo que muitos insistem em ficar solteiros.
A segunda lição me veio anos mais tarde, embora só hoje eu veja com clareza: um relacionamento baseado em expectativas tende a fracassar. Ou ele é satisfatório enquanto acontece, ou o bom futuro almejado nunca chegará. Podem ser exemplos de expectativas frustradas: "quando nos formarmos", "quando morarmos juntos", "quando tivermos estabilidade financeira", "quando tivermos filhos" e a lista segue, sempre fugindo do presente.
A terceira lição é mais complexa e acredito que só possa ser vislumbrada anos depois do fim: um relacionamento baseado em "migalhas" tende a fracassar. Ou ele é plenamente satisfatório enquanto acontece, ou simplesmente tende a piorar. Isso é difícil de perceber na época, pois embora ele não seja pleno, é melhor que um relacionamento baseado em expectativas. É melhor que ficar sozinho (suponho que essa seja a justificativa mais comum para se manter uma relação disfuncional).
A quarta lição seria: não importa o quanto você goste de alguém, você jamais conseguirá mudar a sua essência. Isso me remete a um aprendizado da adolescência, quando tentei me relacionar com a primeira namorada em três momentos distintos durante o ensino médio. Também lembro do clássico de Scorsese, Casino (1995), em que o protagonista (Robert De Niro) se casa com uma prostituta de luxo (Sharon Stone); embora perdidamente apaixonado, quais as chances de um relacionamento dessa natureza dar certo?
A quinta lição é sobre a natureza inconsciente e arrebatadora do amor. Meu pai conheceu minha mãe, bancária, como seu cliente; semanas depois, eles se casaram (embora ele tivesse outra noiva e minha mãe precisasse abandonar sua carreira para acompanhá-lo). Há cerca de um ano, no dia em que meu casamento acabou, comecei a pensar que, a partir daquele momento, eu poderia tentar me relacionar com uma ex-colega de trabalho, que eu mal conhecia e não tinha nenhum contato na época.
Algumas semanas depois, ao comentar sobre a minha separação com meu pai, contei-lhe sobre a nova pretendente e lhe disse que, se desse certo, se ficássemos juntos, seria melhor que qualquer experiência que eu pudesse vivenciar com a minha ex-mulher. Minha intuição estava correta. Por algum motivo desconhecido, já estávamos ligados e o divórcio foi a minha libertação. Nosso encontro tinha que acontecer, não poderíamos fugir dele. Nem deveríamos.

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