segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Estrategistas

Recomeçando na nova cidade, meu nome logo virou assunto na cozinha da unidade básica, onde costumamos tomar café. Expliquei que era um nome histórico do Rio Grande do Sul, muitos gaúchos conheciam sua história, embora ali fosse desconhecida. Apesar dessa impressão inicial, no fim da primeira semana, transferi uma paciente para o hospital municipal e, ao me apresentar, os dois médicos se entreolharam e exclamaram ao mesmo tempo: "Sepé Tiaraju!"
A odontóloga comentou que perguntara para sua mãe se ela conhecia o meu nome (suponho que a matriarca seja gaúcha), sendo a resposta positiva. Foi explicado que era um índio criado por jesuítas na região das missões, que se tornou um líder contra a ocupação portuguesa e espanhola. Mesmo após sua morte, ainda era visto nos campos de batalha; por isso, é considerado santo por alguns, tendo inclusive uma cidade em sua homenagem: São Sepé.
Ao fazer uma rápida pesquisa, descobri que ele morreu em São Gabriel-RS, onde meu pai morava antes de ir para São Paulo conhecer minha mãe. Outra descoberta agradável foi ele ser reconhecido como bom estrategista, tenho dito isso sobre mim de forma quase irônica há meses. Sun Tzu, em sua obra-prima do século IV a.C., "A Arte da Guerra", explica um princípio que considero especialmente estratégico para se alcançar grandes objetivos:
"Uma força militar não tem formação constante, a água não tem forma constante. A habilidade de alcançar a vitória mudando e adaptando-se de acordo com o inimigo é chamada de genialidade."

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