Recentemente reencontrei um velho amigo que, há cerca de um ano, montou um estúdio musical. Ele me perguntou se eu me mudava constantemente porque queria, respondi que sim, "conheço boa parte do estado" foi uma das vantagens que lhe ressaltei. Ele comentou que vivera isso por alguns anos quando trabalhou em uma grande empresa, mas não tinha gostado; claramente, ele estava satisfeito por finalmente poder se fixar em nossa cidade.
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Há três anos, em viagem a São Paulo, eu e minha irmã jantamos com antigos amigos de nossos pais; comentei que frequentemente trocava de emprego, sendo isso algo típico da minha geração. Apesar das dificuldades enfrentadas, porém, geralmente eu conseguia desenvolver um bom trabalho e, assim, sentia-me satisfeito. Meu "tio" lembrou que, quando se tem capacidade, os desafios geralmente são contornados e a tendência é dar certo.
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Ano passado, em jantar com outros amigos de nossos pais, o "tio" enfatizou que, se eu achasse que determinada cidade fosse me fazer feliz, eu deveria mesmo ir para lá. A "tia" me definiu de forma direta: "Você é cigano!" Embora não ache a denominação ruim, acredito que o termo mais correto seja "nômade", pois me mudo sozinho e não em comunidade. Outra diferença básica é que presto um serviço diferenciado nas localidades escolhidas (pelo menos, é o que gosto de pensar).
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Anteontem, em meu novo local de trabalho, convidaram-me para tomar café na cozinha; lá, comentaram que minha idade havia sido alvo de palpites entre eles. Informei que tinha trinta anos e, lamentavelmente, todos achavam que eu era mais velho. Meu colega médico educadamente explicou que isso ocorreu porque eu havia dito que me formara em 2008. "Sim, entrei com dezoito e saí com vinte e quatro." Ele fez graça: "Claro, japonês passa direto no vestibular!"
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Nos últimos cinco anos, morei em seis locais diferentes; as mudanças foram feitas pelo mesmo amigo, que possui um caminhão pequeno que provavelmente costuma transportar produtos agrícolas. Apesar disso, confio nele o bastante para, ao final de cada viagem, fazer um lembrete irônico de "até breve!" Ele foi o único que conheceu as minhas últimas moradas e, considerando que o lar pode dizer muito sobre alguém, imagino que ele tenha um bom panorama sobre a minha pessoa.
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