sábado, 19 de agosto de 2017

When I Get Old

A primeira vinda do Descendents ao Brasil coincidiu com meu aniversário ano passado, meu irmão comprou ingressos com meses de antecedência. Ao estacionar o carro em frente ao hotel reservado por ele na capital paulista, vejo Stephen Egerton caminhando em minha direção; penso em aumentar o volume do álbum Somery para que ele me identificasse como fã, mas dessa vez, timidamente, resolvi agir como um hóspede normal e apenas desliguei o carro.
Uma coisa legal dos concertos de rock é que você nunca sabe qual música vai te emocionar mais. Dessa vez, o arrepio principal veio com a sétima música do meu álbum preferido, que marca o retorno de Milo após nove anos afastado: Everything Sucks (1996). What will it be like when I get old? Will I still hop on my bike and ride around town? Will I still want to be someone and not just sit around? I don't want to be like other adults, cause they've already died... 

* * *

Há alguns meses, adicionaram-me em um grupo com colegas da época do colégio, contando com mais de cem integrantes. Dificilmente consigo acompanhar as mensagens, mas um dia perguntaram quem era o gênio que criara o grupo e a resposta que deram foi: "Se foi um gênio, só pode ter sido o Tiaraju." Ao me manifestar, o colega que havia perguntado logo lembrou da minha saudosa mãe, falecida quando eu tinha dez anos. 
Outro colega comentou que lembrara de mim há algumas semanas, perguntando onde eu estava e o que eu fazia. Uma colega, que também se formou em Medicina, recordou de um desafio que nossa professora do primário fazia: "O Tiaraju sempre era o primeiro a achar as palavras no dicionário! #tiarajufacts". Nessa manhã de boas lembranças, comentei o ocorrido com um agente de saúde, que sorriu ao saber das minhas façanhas escolares.
Algumas semanas depois, com o fim do meu contrato de trabalho, o agente de saúde veio agradecer a minha boa vontade em atender os pacientes dali. Segundo ele, não só eu fazia aquilo que me solicitavam como eu ia além, dando como exemplo o dia em que ele pediu uma receita para uma senhora e eu fiz questão de ir até a casa dela para examiná-la. Ele me aconselhou a continuar assim, pois Deus com certeza iria me recompensar. Respondi que Ele já recompensava e ele concluiu: "É verdade, ele deu esse talento que teus amigos de infância lembram até hoje."

* * *

Uma das frases que costumo escutar ao final das consultas é: "Que Deus te abençoe!" Gosto de pensar que esse pedido, repetido ao longo dos anos, surta o efeito desejado e me mantenha sempre em boa ventura. Ao atravessar tempos difíceis, inerentes à condição humana, procuro acreditar que meu caminho deverá ser, de alguma forma, protegido. Nessas horas, o homem de ciência dá lugar ao homem de fé e isso, talvez, seja o meu talento maior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário