Há muitos anos atrás, meu pai sonhou que meu irmão se tornara um renomado jogador de futebol, sendo requisitado até por clubes internacionais. Lembro de sua empolgação ao comentar que ficara surpreso com o talento esportivo do filho mais velho, que era "bom mesmo". De certa forma, cresci com o pensamento de ter um gigante na família e isso é parte importante da minha auto-estima.
Durante a faculdade, li o clássico de Freud, A Interpretação dos Sonhos, no qual ele discorre minuciosamente sobre o tema. O sonho de meu pai pode ter sido fruto de suas boas aspirações sobre o primogênito, algo natural em pais zelosos. Outra hipótese menos científica seria a de ter sido um sonho premonitório, obviamente essa é a idéia que defendo. Há muitos anos atrás, uma profecia ocorreu, não tenho dúvidas.
É irônico como posso estufar o peito e me gabar das glórias do meu irmão gratuitamente, sem ter que passar pela pressão diária que seu importante cargo impõe. Compartilho sua vitória sem o ônus de estar sempre à prova, sempre aos olhos da sociedade. Vivo em um lugar confortável, que meu pai viu e teve a felicidade de compartilhar conosco em uma manhã antiga de verão.
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