O texto abaixo foi finalizado há algumas semanas, mas primeiramente optei por não publicá-lo por considerar errado "crucificar" alguém, independente da gravidade de seu erro. No entanto, deparo-me frequentemente com pessoas inteligentes, bem formadas, que parecem apoiar cegamente o programa; por isso, exponho o caso que me é um exemplo claro do risco que envolve contratar um profissional mal preparado para atuar sem supervisão.
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Minhas esperanças na escola argentina foram parcialmente ceifadas pela conduta ilustre do médico argentino em Tramandaí-RS. Com 50 anos de idade e 25 de formação, ele receitou uma dose bizarra de Azitromicina para um paciente. Quando vi a receita pela primeira vez, pensei que, caso o médico se justificasse dizendo que o confundira com Amoxacilina, por exemplo, seria uma explicação plausível. Porém:
"Na tarde desta terça-feira, Cazajus justificou à reportagem de Zero Hora que a receita estava de acordo com as condições de saúde do paciente. Fumante, o homem que foi atendido na semana passada pelo profissional do Programa Mais Médicos apresentava um quadro de falta de ar.
— Era um paciente complicado, que aparentava não tomar medicação. Me excedi na dose, mas foi pelas características do paciente. Era a única opção que tinha.
Conforme o médico, o paciente realizou um raio X que apresentou uma infecção pulmonar leve. (...)
— Queria ter a certeza que ele tomaria. Como era um paciente complicado, vi que melhoraria rapidamente." http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/10/me-excedi-na-dose-mas-foi-pelas-caracteristicas-do-paciente-diz-profissional-argentino-do-mais-medicos-4301686.html
Por ser um paciente potencialmente grave, o médico receitou uma superdose de antibiótico e o liberou para casa (?!). A história ficava ainda pior:
"Após a confusão, e não satisfeitos com a prescrição, familiares do homem o levaram até o Hospital Regina, em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e receberam nova avaliação médica. 'No hospital, fizeram um diagnóstico diferente da questão respiratória. Ele tinha um derrame pleural bilateral que deveria ter sido identificado já no primeiro raio-x. A sorte é que o paciente foi visto por outro médico, que suspendeu a medicação e fez o tratamento adequado', afirmou Matos.
Segundo o presidente do Cremers, a avaliação mal feita a partir do primeiro exame foi o erro mais grave, já que o derrame precisaria ter sido percebido pelo médico estrangeiro. A assessoria de comunicação do hospital confirmou ao G1 que o homem deu entrada no último domingo (13) e recebeu alta nesta quarta-feira (16). 'Agora ele será encaminhado para tratamento no setor de oncologia do Sistema Único de Saúde', completou Matos." http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/10/conselho-do-rs-diz-que-profissional-do-mais-medicos-errou-diagnostico.html
Proporcionalmente, a Argentina possui mais médicos que o Brasil, formando inclusive brasileiros que são atraídos pela sua facilidade de formação. Estatisticamente, estamos perdendo, mas como estamos na prática? No universo que representa cada atendimento de saúde, qual escola se sai melhor?
"O Brasil possui 1,8 médicos por mil habitantes, índice menor que o da Argentina (3,2), do Uruguai (3,7), do Reino Unido (2,7), de Portugal (3,9) e Espanha (4)."
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