terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Blefadorzinho

No feriado de 15 de Novembro, houve o encontro de turma após cinco anos de formados. Nos comentários em uma rede social que antecederam o final de semana, fiz um único pedido: "Tem que rolar um poker!". Amante das cartas, para mim, não existe nada melhor que o Texas Holdem no limit. Nos três dias de hospedagem, o auge me foi a noite de sexta-feira, quando ficamos até às três horas da madrugada no carteado.
Eu diria que este jogo pode ser usado como uma analogia para a vida: o vencedor é aquele que acumula maior quantidade de fichas no final. Assim, tão importante quanto ganhar é não perder, pequenas vitórias são melhores que grandes ganhos seguidos de grandes perdas. Um exemplo no mundo real seria: não adianta cultivar boas amizades e não as manter; no fim, você simplesmente terá perdido.
Em uma das rodadas, surpreendi ao ganhar com uma sequência de cartas baixas. Meu adversário desabafou: "Como ele paga um raise pré-flop com um 2 e um 5?!" Minha justificativa provocou risadas da mesa: "Um 2 e 5 'suited' (do mesmo naipe)!" Porém, em rodadas posteriores, mudando de postura, abandonei as cartas perante as apostas inimigas, ouvindo a frase: "Agora o Tiaraju está conservador..."
Ao estudar a teoria do poker, entendi que a melhor estratégia é variar o estilo de jogo, visando confundir os adversários. Isto é algo difícil de se fazer, variar de personalidade conforme as circunstâncias, já que naturalmente tendemos a ser sempre os mesmos. No entanto, assim como no jogo, a vida demanda diferentes posturas a todo momento, flexibilidade e poder de adaptação são qualidades importantes de quem vence.
Uma das melhores jogadas da noite foi quando eu fiz uma aposta alta no river e, após alguns instantes de reflexão, meu colega pagou a aposta derradeira. Mostrei-lhe um excelente jogo, superior ao seu. Ao fitar um colega nosso no canto oposto, ele justificou sua conduta: "Pensei: o Tiaraju, blefadorzinho..." De fato, em rodadas anteriores, eu havia blefado abertamente, o que acabou favorecendo altos ganhos quando eventualmente vinha com boas cartas.
Acredito que agir de maneira "supervalorizada" seja também uma boa estratégia na vida real, desde que ela não se torne banal. O maior perdedor da noite foi justamente o que tinha a postura mais agressiva, tomando a iniciativa das apostas frequentemente. Ao questionar o meu surpreendente 2 e 5, acabou ouvindo novamente que ninguém mais o respeitava na mesa. Era verdade, as fichas não mentem.

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