quarta-feira, 4 de junho de 2014

Em Busca da Felicidade - parte 3

(Postado originalmente dia 15/05/2014)

Ao me despedir de um amigo que não via há alguns meses, ouvi que eu era um "bon vivant". Concordo com ele, procuro o melhor da vida, busco o que me faz bem e acredito ser digno disso. Frequentemente é comentado que eu aparento ser mais jovem do que realmente sou. Talvez o segredo seja eu provar diariamente pequenas porções de felicidade. Confesso que, de vez em quando, eu me esbaldo além da conta.
Na primeira vez que fui ao clube de poker, explicaram que minha jovialidade devia ser decorrência da boa alimentação típica dos japoneses. De fato, costumo comer peixe com certa frequência. Quando fiquei no apartamento de meu tio no centro de Porto Alegre, almocei três vezes em um restaurante "a la carte", escolhendo todas as vezes o filé de peixe à milanesa. Meu tio e meu avô, ambos gaúchos, escolheram o prato destaque da casa, picanha.
Acostumei-me a comer todo tipo de salada disponível e a beber compostos de suco natural e soja, as opções sem adição de açucar são saborosas e parecem nutritivas. Dificilmente cozinho, embora eu tenha aprendido na faculdade; prefiro comer em lanchonetes/restaurantes, minha justificativa é que valorizo o trabalho de profissionais. Degusto cervejas artesanais do norte catarinense (com colonização predominantemente alemã) e vinhos argentinos/chilenos. 
Durmo com frequência e gosto de estar em contato com o mundo onírico. Não faço mais plantões noturnos, durmo todas as noites com prazer; sonho meu futuro enquanto descanso, produzindo melhor no dia seguinte. Eventualmente, chego do expediente à tarde e durmo até o começo da noite; acordo, tomo um banho, janto e volto para a cama. Como bon vivant, dou atenção às minhas vontades e imagino ser o típico exemplo que faz o que quer quando quer.
Eu poderia trabalhar o dobro do que trabalho atualmente, mas não me sinto impelido a isso. Tenho poucas despesas e considero meu ofício extremamente ansiogênico, embora, claro, seja nobre e necessário. Procurar manter o equilíbrio entre os desejos e os deveres me parece ser uma meta razoável para quem busca a felicidade. Recentemente, ao comentar o caso do cirurgião acusado de planejar a morte do filho, meu tio concluiu que eu estava certo em não trabalhar demais.
Ao me aprofundar no xadrez, claramente me mostrei ser um jogador posicional e não um jogador tático. Meu objetivo era construir pequenas vantagens posicionais e levá-las até um final vitorioso, um tático vislumbra arrematar o jogo a curto prazo, geralmente com sequências agressivas que podem dar certo ou não. Recentemente passei uma tarde jogando sinuca e, como bom estrategista, aproximava as bolas das caçapas ao invés de tentar um arremate único.

"Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor!" 
O Vencedor - Los Hermanos

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