No começo da semana, tive uma conversa matinal agradável com meu avô. Um dos assuntos foi meu pai, que todo ano está fazendo uma ou duas viagens internacionais; comentei que não gostava da idéia de viajar para o exterior de avião, preferia visitar meus parentes de carro nos finais de semana. Confesso que um de meus defeitos é não saber lidar com frustrações, eu odiaria passar por atrasos no aeroporto ou ter minha bagagem extraviada.
Sem falar no óbvio risco da aeronave simplesmente desaparecer sem deixar rastros. Ele riu e disse que minha avó também era assim, não gostava de avião. Não foi admitido, mas imagino que ele também sinta o mesmo. Seria mais uma semelhança entre nós dois, calculamos os riscos, geralmente agindo com cautela. Aliás, outra desvantagem clara de visitar o exterior são os custos, não seria melhor viver com relativo conforto a maior parte do tempo ao invés de só de vez em quando?
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Sexta-feira, eu e meu primo fomos para outro local agradável de Jaraguá do Sul: Sacramentum Pub. Com dezenas de tipos de cerveja, a última que degustamos foi alvo de um desafio: eu afirmei que era alemã, ele disse que era paulista. Quando a atendente trouxe a garrafa, vislumbramos a sua cidade de origem: Munique. "Pode abrir" foi a minha ordem vitoriosa. Antes de sairmos, lembrei que ele deveria perguntar ao seu amigo músico de quem era uma das canções executadas na noite.
Eu sugeri Bryan Adams, ele Jon Bon Jovi. Ao ser apresentado para o artista, perguntei de quem era a música que falava sobre o "summer of sixty nine". "Ah, essa é o 'crássico' do Bryan Adams!" Claro que era, mas o momento mais marcante ocorrera minutos antes; não lembro como chegamos neste tópico, mas o primo disse que não era do tipo estrategista, fazendo uma menção ao jogo de xadrez. Acabei entendendo que ele tinha lido meu último post, o que me é uma honra.
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No sábado, rumo a Criciúma, passei por Garopaba para deixar o tapete que minha tia-avó comprara em Três Passos e me pedira para levar até o litoral. Uma peça pesada que meu tio-avó, recém-operado do joelho, teria dificuldade de carregar em Porto Alegre. Na viagem, senti a satisfação de imaginar que iria esquentar o inverno de minha estimada tia, que considera meu pai, criado juntamente com ela, seu irmão mais novo. Encontrei-a bem agasalhada com muita lã, espantada com minha bermuda e camiseta. Expliquei: "Da onde venho, aqui está quente."
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Domingo, almocei com minhas duas meia-irmãs; meu pai e madrasta foram buscar meu avô no Rio Grande do Sul, minha irmã estava em uma cidade vizinha com colegas do seu curso de moda. Inicialmente convidei as jovens para almoçar em um fast-food, no caminho, comentei de um de meus restaurantes prediletos; elas concordaram que a comida era ótima e, prontamente, comuniquei: "Vamos lá, eu pago!"
Optamos pelo mignon à parmesiana (com arroz e fritas) e pela picanha com brócolis e batata sauté. Inicialmente, a mais velha salientou os preços relativamente altos e eu, provocando risos, justifiquei: "Eu salvo vidas!" Pouco depois, comentei que era por almoços como aquele que a mais nova deveria escolher a Medicina como profissão, embora, claro, o dia-a-dia envolvesse grande responsabilidade. Nem sempre as vidas são salvas, esse peso não é para qualquer um.
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Há alguns anos, meu pai comprou um automóvel coreano e nos encontramos na casa de seu patriarca que, assim como eu, ironizou o fato de haver adesivos na traseira do carro novo. Logo em seguida, foi comentado que eu era parecido com meu avô em alguns aspectos. Senti isso novamente na segunda de manhã, antes de viajar, quando assisti com ele parte do campeonato de Roland Garros no sofá de minha casa natal.
Ele relatou o episódio de um conhecido que, instantes antes de receber a notícia de falecimento de sua filha, escutara a voz dela repetidas vezes: "estou indo". Lembrei-o de seu sonho com minha avó justamente na manhã em que ela faleceu, indicando que poderia ter sido uma despedida dela. Ele, emocionado, concluiu que isso significava que eles tinham tido uma boa vida juntos. Sim, de todas as pessoas, ela escolhera o seu grande amor antes de partir.
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