sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Blefadorzinho - parte 10

Novamente consegui chegar na mesa final do torneio mais caro da semana. Nunca vi o salão tão cheio: trinta jogadores com desessete re-buys, o campeão levou para casa quinze vezes o valor da inscrição. Em certo momento, consegui acumular cerca de 220k fichas, feito inédito para mim no clube. Cheguei entre os nove finalistas com stack acima da média, mas amarguei um oitavo lugar após uma bad beat no river. Considerações:
1- Poker é um jogo de paciência, praticamente não joguei na primeira metade do torneio (aparentemente, essa seria uma de minhas piores performances). Na penúltima mão antes do intervalo, no big blind, venho com JJ. Vou all-in pré-flop, um jogador paga com A8s; logo no flop, aparece um Ás. Pelo menos, ainda havia tempo para a minha reentrada.
2- Big blind de 1200, o UTG aumenta para 2500; com AK, apenas pago, junto com o small e big. Flop: KT7, T e 7 de ouros, naipe que não tenho; o small vai all-in (11k), o big também (15k), o UTG folda. Minha leitura é que pelo menos um deles está no flush ou straight draw, o problema seria um KT ou 77. Antes de pagar, comento com um jogador: "Como eu falei antes, é muito difícil largar um AK." Meus adversários mostram um QJ e JT, nenhum ouro. Mantenho minha vantagem até o fim, iniciando agora uma boa ventura.
3- O melhor fold que eu já presenciei foi durante o big blind de 2k. O UTG sobe pra 6,5K e recebe um re-raise de 16k de um jogador tight. O UTG folda mostrando um AK, o tight mostra um AA. Que leitura.
4- Após algumas baixas, minha mesa foi dividida nas duas restantes; em um novo ambiente, o clima ficou naturalmente mais tenso. Com big blind de 4k, um jogador aposta 8k, estou no small com AJ, apenas completo, o big também. Flop: J73 rainbow, checo, eles também; turn: 2, aposto 8k. O big faz uma careta, como que perguntando: "você está blefando?" Mas acaba desistindo, junto com o apostador inicial. Amenizando os ares de guerra, mostro o J, ação cordialmente imitada por alguns vencedores seguintes.
5- Minha melhor jogada ocorreu quando eu estava no big blind de 6k. Um jogador faz raise de 12k, outro paga, o restante folda; venho com 63, como eu teria que pagar apenas mais 6k para concorrer ao pote de 43k, completo a aposta. Flop dos sonhos: 332 rainbow. Estou absoluto, mas, sendo o primeiro a falar, checo. O seguinte empurra 15k, o outro folda; simulando um blefe, volto all-in (52k). Ele paga mostrando um AQ; após a derrota, justifica: "Achei estranho esse re-raise dele."
6- Na mesa final, tive algumas dificuldades para jogar e, intimidado, cheguei a evitar de pagar um raise pré-flop com A4, no qual eu provavelmente teria dobrado minhas fichas (flopou AQ4 rainbow). No big blind de 14k, finalmente venho com QQ; aposto 30k, small e big pagam. Flop: KQ9, K e Q de paus. Eles pedem mesa, tendo em vista o óbvio risco de um flush ou straight, vou all-in; sem pensar muito, eles foldam.
7- Na mão seguinte, venho novamente com QQ! Repito a ação, 30k, apenas o small completa. Flop: 764 rainbow. Ele imediatamente vai all-in, eu pago sem perguntar o valor (116k). Ele mostra um J8; no turn: 9, no river: 5 e ele consegue a sequência. Coisas do jogo.
8- Consegui sobreviver mais uma rodada, no big blind que sequer consegui completar. Após a eliminação, indo embora, o colega que foldou o AK me parabeniza, comentando que eu estava "chegando perto". Conclusão: melhor que jogar um bom poker é ganhar o reconhecimento de bons jogadores.

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