quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Fogo Contra Fogo (Heat) 1995

Tive o prazer de assistir a este filme no cinema com meu pai na época do lançamento, agora, quase vinte anos depois, percebo que ele ainda se mostra atual. A obra-prima de Michael Mann, com quase três horas de boa condução, mostra diferentes histórias que se encontram em uma Los Angeles "calorosa". A relação conflituosa do personagem de Al Pacino com sua terceira esposa é um exemplo da decadência generalizada que nos é mostrada.
Inicialmente o investigador Vincent Hanna aparece acordando em harmonia com sua bela mulher. Toma um banho e, quando ela pergunta se ele vai levá-la para tomar café da manhã, ele responde que não, pois estava sem tempo. Ao retornar para casa, já de madrugada, senta-se para tomar uma dose e ela assustada pergunta o que havia acontecido. Ele responde com uma palavra: "Trabalho." Então ela desabafa: "Eu fiz jantar para nós. Há quatro horas."
Outra cena significativa é quando ele retorna a um restaurante quase vazio, onde ela aguarda sozinha após um jantar interrompido por uma ocorrência. Ela pergunta o que havia acontecido, ele lembra que não deve falar sobre seu trabalho. Após ela insistir, ele se irrita: "Eu deveria chegar em casa e dizer: Olá, querida, adivinha? Eu entrei em uma casa hoje onde um viciado fritou seu bebê no micro-ondas porque estava chorando demais. Deixa eu compartilhar isso contigo..."
A resposta: "Você não vive comigo. Você vive entre os restos de gente morta. Você vasculha os detritos, você lê o terreno, você procura por sinais de passagem, pelo cheiro de suas presas e então as caça até o fim. Isso é a única coisa com que você é comprometido. O resto é a bagunça que você deixa enquanto passa. O que eu não entendo é por que eu não consigo me desligar de você."
Em uma lanchonete, no surpreendente diálogo com a sua principal presa, Neil McCauley (Robert de Niro), Vincent confessa: "Minha vida é uma zona de desastre. Eu tenho uma enteada totalmente problemática porque o pai verdadeiro é um grande idiota. Eu tenho uma mulher, nós estamos ladeira abaixo no casamento, meu terceiro, porque eu passo todo o meu tempo perseguindo caras como você por aí. Essa é a minha vida."
De Niro: "Um cara me contou uma vez: 'Não se apegue a nada que você não possa largar em 30 segundos quando sentir o perigo na esquina.' Se você está atrás de mim e tem que se mover quando eu me mover, como espera manter um casamento?" Touché. No final da épica cena, Pacino abre o jogo: "Você faz o que faz, eu faço o que tenho que fazer. Agora que estivemos cara a cara, se eu tiver que prendê-lo, eu não vou gostar. Mas eu lhe digo que, se for entre você e um pobre coitado cuja mulher você tornará viúva, irmão, você vai cair."
Evidente que, no final, o herói derruba o vilão. Embora com personalidades parecidas, suas trajetórias opostas selaram seus destinos. Uma das lições do longa pode ser justamente esta: o "lado" que optamos seguir é decisivo na natureza dos resultados. Neil ainda teve sua chance de fugir milionário com uma bela e apaixonada mulher, mas o desejo de vingança, seu "Ego", falou mais alto. Situação tão comum que nos induz a torcer pelo carismático bandido até o último embate.

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