Passei o último final de semana em Garopaba, na casa familiar onde nos reunimos a cada verão. No almoço de domingo, recebemos a visita de uma tia de meu pai, moradora de uma praia vizinha. O patriarca comentou que só estávamos ali por causa dela, pois ele conhecera o local durante uma visita à sua casa há cerca de 30 anos. Vislumbrado com o local paradisíaco, decidiu que construiria ali seu lar de veraneio e assim o fez.
Minha tia-avó sofreu um AVC há alguns anos e, apesar de eventuais lapsos de memória, continua lúcida e "afiada" nas idéias. Com uma afinidade habitual, conversamos sobre vários assuntos. Quando ela tentou me convencer a ajudar financeiramente minha irmã no início de sua futura carreira profissional, surgiu o argumento que a caçula tinha mais dificuldades por não ter a mãe. Minha resposta foi humorada: "Mas eu também não tenho!"
A surpresa foi geral, todos riram, minha tia reagiu imediatamente dando um tapa no meu braço: "Tiaraju!" Embora eu entenda que as dificuldades da minha irmã tenham sido maiores, minha intenção foi demonstrar que não somos necessariamente vítimas das circunstâncias. Vontade e perseverança são determinantes em uma trajetória de sucesso, todos nós conhecemos bons exemplos disso.
Outro momento memorável da conversa foi quando ela contou que não via meu pai como seu sobrinho, mas como seu irmão. Minha avó era a filha mais velha e, após se casar, iniciou os trabalhos no cartório enquanto meu avô trabalhava no banco. Sem condições de dedicar tempo ao meu pai recém-nascido, deixaram-no na casa dos avós maternos, em outra cidade, onde ele se criou juntamente com a sua tia-irmã (na época com oito anos).
Meu tio mais novo, que acompanhava o relato, comentou que, de fato, meu pai não chamava sua mãe de "mãe", chamava de "Dona Alta" (uma espécie de diminutivo de Altair). Sua mãe, na verdade, era minha bisavó, falecida há muitos anos. Após uma infância difícil, ele ainda foi estudar em Porto Alegre e meu avô comenta que foi o único a passar por dificuldades nessa época. Os outros puderam usufruir de uma situação financeira mais confortável quando saíram de casa.
Entre seus irmãos, meu pai foi o único a ficar viúvo. Profissionalmente, já sofreu várias quedas. Hoje, porém, parece-me ser o melhor exemplo da casa; um homem de poucas palavras, mas de muitas ações. Um dos últimos comentários da minha ilustre parente foi que eu claramente agia com o coração, o que era até natural, devido à minha profissão. Ao refletir sobre isso, concluo que apenas sigo bons exemplos.
Bons momentos sempre ao lado da Tia Beth. E ela tá certa. Talvez o teu papel nesse mundo, o mais importante, seja ajudar a tua irmãzinha hahaha
ResponderExcluirQue conveniente!
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